sábado, 1 de junho de 2013

Dia do amor, sem fórmula por favor!



Hoje eu acordei com vontade que a vida me dissesse o que eu terei vontade de fazer. E tem sido quase sempre assim. Faço planos sobre o trabalho, cursos que quero fazer, viagens, programações de lazer, orçamento, reforma da casa, mas sobre o coração, não mais...

Em minhas explorações pela estrada afora, tenho aprendido muito, às vezes em par, muitas outras em carreira solo, o quanto o amor não tem fórmula, não tem planos, não tem metas, nem explicação e tampouco desafios, o amor simplesmente é, está lá, para ser sentido e vivido doce e livremente.

Não sei se vocês conhecem a origem do dia dos namorados, mas vale a pena recuperar o finalzinho da Idade Média, quando o bispo Valentim lutou contra as ordens expressas do imperador Claudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes. Será? Talvez né, os solteiros estão na pista pra "negócio" e conseguem tocar a vida sem bengalas, usufruindo apenas da sua própria companhia kkkkk. Bem, porém, além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. Logo foi descoberto, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, as pessoas militaram pela causa do amor, enviando à Valentim flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Ao aguardar confinado o cumprimento da sua pena de morte, Valentim, como sempre desobediente às regras (ainda bem), se apaixonou pela filha cega de um carcereiro (olha a não exigência da perfeição do amor) e, milagrosamente (coisas do amor), ela voltou a enxergar, talvez para conseguir ler a mensagem que ele lhe deixaria (grifo da autora, eu). Antes de ser executado, Valentim escreveu um bilhete de amor para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”. Esse momento comemorativo resgatando o valor do amor foi importado por nós, porém com uma pequena mudança, comemoramos o dia dos namorados em 12 de junho (ao invés de 14 de fevereiro, o primeiro Valentine´s Day)  por ser véspera do dia de Santo Antônio, o tal santo português que tem fama de santo casamenteiro.

Pois é, vez por outra, eu e minhas amigas, de forma gaiata e despretensiosa, pra falar a verdade, escrotamente, ficamos analisando os casais que vemos por aí e o quanto cruelmente achamos, com a nossa cabeça de abóbora, que eles "descombinam". Ah olha aquele cara lindo, sarado e bacana com a gordona na praia, que depois de tomar uma banda com as ondas que vem em vão, arruma o biquininho pagando peitinho, comendo areia como se fosse paçoca e é claro, transbordando todo o seu bacon para muito além do seu figurino. Na boa véi, eu não conheço o inferno, mas acho que essa deve ser uma das visões ou perspectivas de lá. Caraí, o que aquele homem viu naquela mulher??? Perguntamos com aquela pontinha (na verdade pontona) de inveja!!!

E quando vemos aquela bela com uma fera? Ela linda, inteligente, assertiva, com covinhas pra lá de sensuais que acabam de desenhar o seu lindo sorriso, com aquele ogro, barrigudo, grosseiro, que a trata como se ela fosse um esboço de nada e mesmo assim, ela faz tudo por ele, prioriza estar com ele, paga uma hiper paixãozona dizendo eu te amo, você é tudo pra mim, até flores ela envia pro sujeito, enquanto ele mal consegue dizer que gosta da companhia dela. Ele troca tranquilamente um jantarzinho íntimo que ela preparou (e o espera vestida com uma lingerie very very a lot sexy) para tomar cerveja até cair com os coleguinhas que ele mal tem intimidade do trabalho. Arf!!! Vai entender sobre o amor, pois é,  ninguém entende, é por isso que se chama AMOR!!! Porque não é racional, não tem fórmula e nem explicação. Ué, o valente militante Valentim não se apaixonou pela ceguinha, filha do carcereiro dele? Pois é, o amor é assim...

Se fosse porque a pessoa é o máximo em algum aspecto ou todos, seria somente admiração. Podemos admirar muito alguém e no entanto, não amar.  Se fosse porque o outro tem uma química incrível com você na cama, seria tesão. E vamos combinar, dá perfeitamente para ir para a cama, ter uma ou várias noites incríveis, sem amar a pessoa. Se fosse porque o outro te entende, te apoia e te aceita do jeitinho que você é, seria exclusivamente amizade. Pois é, temos muitos amigos e amigas que amamos muito fraternalmente (profundamente e pra sempre) e que, nem por isso, se transforma numa história de amor afetiva-sexual.  Se fosse porque vocês conversam por horas a fio, curtem muita coisa em comum e adoram estar juntos seria uma grande identificação. Nos identificamos pracaralho nessa vida com muitas pessoas que não passam a ser o nosso par amado.  Enfim, é claro que essas questões podem estar contidas em pessoas que se amam, mas se pararmos para pensar, nem sempre... Aliás, muitas vezes não. As qualidades ou vantagens acima não são condições sine qua non para se viver um GRANDE AMOR.

É por essas e outras nas minhas desvairadas andanças que há muito não quero porra de fórmula de amor nenhuma. Torço para não encontrar (ao contrário da música do Léo Jaime) a fórmula do amor. Quero ser amada pelo meu jeito torto, pelas minhas insensatezes, cegueiras, por minhas chatices e imperfeições, pelos meus momentos difíceis, pelas minhas batatadas, bolas fora e tudo que me torna humana e imperfeita e que, por isso mesmo, me fazem ser amada por alguém de um jeito singular. É lógico, diga-se de passagem, que tenho muitas outras coisas para oferecer (as minhas covinhas são lindas, é o que diz um amigo meu kkkkk), mas o bônus será somente pra quem se encarregar do sombrio ônus. Ah o amor!!!

Podem reparar, quando amamos e/ou somos amados por alguém, podemos ouvir as mais descabidas descrições: "adoro o jeitinho que ela mexe com o cabelo e faz os dedinhos dançarem enquanto fala" (e o pior, foda-se pro conteúdo do que ela fala, a forma que fala é linda), "amo o jeito com que ele esfrega as pernas na cama quando acorda como se fosse um boneco deitado na neve" (foda-se se ele tem o corpo sarado e lindo nu ou não, o que importa é o que aquele corpo faz em váaaaarios sentidos), "gosto do jeito que ela pede apontando freneticamente pro copo pra completar a cerveja" (outro foda-se pra saber se ela está bêbada falando um monte de merda), "gosto do jeito bronquinha dele quando está com raiva" (mesmo que ele tenha estragado o programa de vocês com a chatice dele).

Enfim, eu poderia ficar descrevendo inúmeros  absurdos de casais que quando vivem o amor, quando descrevem o outro, colocam uma pitada de pirlipimpim em alguma coisa totalmente ordinária aos olhos de qualquer um. Mas sabe o que eles veem? O extraordinário no outro. E vamos combinar, essa porra só pode ser o tal do amor.  Na verdade, para além daqueles que tem admiração, amizade, identificação, química, não sabem dizer o "porque" amam alguém, simplesmente amam e simsimsalabim ponto, entendeu (você com certeza não) ou quer que eu desenhe?

Então mando a fórmula do amor para a puta que o pariu. Não quero mais ficar fazendo balanço de porra nenhuma, onde foi que eu errei, o que é que eu fiz a menos ou a mais, o que tem de defeituoso em mim... Quero o amor livre, leve, inusitado, imperfeito e inexplicável, do jeitinho que eu acho que ele é! Quero ser amada pelo que sou!  E vamos combinar, isso só se descobre com o exercício da autoaceitação, do autoamor, isso é autoestima e nisso, acho que estou virando Phd.

Um brinde aos valentes, que amam sem saber o porque e ainda acreditam no amor! Porque quando se ama alguém não serve outra pessoa, é aquela e somente aquela, que é insubstituível pra fazer casa em seus braços, morar no seu peito, dormir na sua cama e habitar os seus devaneios.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

“Timing” ou “táimim”



O que é timing? Talvez você, pessoa amiga leitora com saco pra ler o meu blog, esteja se perguntando o motivo da utilização de um termo em inglês. Não, não é nenhum culto à língua estrangeira, não, não é uma apologia à americanização da nossa língua...

Vamos aportuguesar essa merda, odeio essa história de ficar escrevendo e reproduzindo os padrões da cultura americana, mas tenho que admitir que o termo “timing” envolve ziguilhões de significados em uma única palavra, coisa que dificilmente conseguimos em nossa rica língua portuguesa. Então, resolvi traduzir da minha própria cabeça de paçoca, que esfarela em mil e um pedacinhos de tanto pensar: TIMING = TAIMIM = TÁIMIM = TÁ EM MIM = ESTÁ EM MIM = É O MOMENTO QUE ESTÁ EM MIM =  ESTÁ COMIGO = MOMENTO QUE ME SINTO UMA PESSOA PLENA!!!

É o tempo oportuno, o momento mágico, a hora “perfeita” para algo, alguém ou alguma coisa acontecer...
Tempo, oportunidade, magia, encantamento, espontaneidade, "borboletas no estômago", olhos brilhando, pele arrepiada, coração vibrando, mente no compasso do momento... Isso é o timing!!!! Esse é o timing e é muito fácil identificar...

É o momento que tudo faz sentido e pode ser sentido inteiramente em seu íntimo na relação com o outro... com o mundo... com a vida... com as coisas.

É o presente majestoso, é a ocasião aproveitada que quase parece uma coincidência, tipo “coisa do destino”, que com o seu toque de fantasia, faz iluminar aquele momento para que tudo brilhe e resplandeça em um encaixe “perfeito”.

No mundo da fotografia, é aquele clique que não pode ser dado nem um pouquinho antes e nem um décimo de segundo depois, mas sim quando aqueles pés saem do chão num pulo vibrante e, o fotógrafo caça-timing consegue capturar aquele momento no ar e clica!!! Bela foto que irá se eternizar no tempo cronológico.

Timing é quase o tempo emocional das coisas, a alma do tempo e o tempo materializado em sua melhor performance. Pra mim isso é timing! Está em mim, está comigo, eu posso sentir aquele momento inteiramente. Às vezes fica ali por um instante apenas! É aquela roçada no nariz sem querer e que aproxima o beijo num magnetismo inexplicável, aquele olhar que diz tudo que vai acontecer nas próximas horas, dias e anos... Às vezes precisamos esperar algum tempo pelo melhor timing, a maior abertura, para que, quando o portal entre a terra e o inexplicável abrir, o inesperado magicamente possa acontecer.

É aquele filho que chegou inesperadamente e que você recebeu de braços abertos porque sabia que ele mudaria sua vida pra melhor e pra sempre. É aquela viagem que finalmente você vai fazer no seu momento mais bacana, aquele sorriso que recebeu na hora mais apropriada, aquele abraço que aconchegou seu coração no momento que você mais precisava, aquela grana que caiu na sua conta como uma brisa num dia quente, aquele beijo surpreendente quando você não esperava nada mais daquela noite...

O contrário disso, quando perde-se o timing, é quando você investe naquele job, arranca o melhor do seu cérebro para a criação daquela porra de ideia brilhante, mas... inoportunamente, perde o prazo e não consegue o reconhecimento da sua produção. É quando o beijo perde o encanto, a espera se transforma em pranto, se desespera e perde a esperança, obviamente sem nenhum espanto. É aquela famosa história que já se transformou em dito popular e que deve ter origem em alguma placa de caminhão ou porta de banheiro: quando o cara não te dá assistência, você perde a paciência e ele a preferência. Abre-se então concorrência  e você se valoriza com sapiência. Pois é, isso é tão bizarro mas tão realístico que é quase uma ciência comprovada rsrsrs...

Minha analista recuperou brilhantemente as sábias palavras de Lacan, psicanalista francês, a respeito da tripartição do nosso processo psíquico, quando o primeiro momento é o "instante de ver", o segundo é o "tempo de compreender" e o terceiro é o "momento de concluir". Traduzindo em miúdos na gíria popular carioca (e que Lacan não se contorça no túmulo com a minha reinterpretação): "Aê, se liga!", depois "beleza já é" e finalmente "partiu!". Já quando se perde o timing, o sujeito primeiramente fica "bolado" (momento de incompreensão), depois "vacila" (marca bobeira, faz merda) e finalmente "deu ruim" (perdeu, deu errado, fudeu, fracassou, o tempo fechou, a possibilidade não se concretizou).

É quando o casal namooooooooooooooooora anos a fio e quando se abre os olhos, perdeu o timing do casamento, da promessa de vida a dois, o sonho dela mofou, a estrela dele se apagou e ela foge com o primeiro lobo mau de bicicleta que passa (sim, não é princípe à cavalo e nem um executivo bem sucedido  by imported car). E  rola o casório depois de 6 meses de rompimento do clássico loooooongo namoro com o eunuco anterior. 

Aliás, o eunuco merece um destaque nesse post. Eunucos quase sempre perdem o timing... No sentido físico, eunuco são homens  castrados, ou seja que teve os testículos  e/ou o pênis removidos. No sentido figurado, o termo é usado para se referir aos homens “fracos”, sem iniciativa, “inútil”, impotente. No sentido bíblico diz-se de homem pacífico e não necessariamente sábio, porque perde o timing, já que costuma desenvolver a pacificidade. 

Bem, depois desse parênteses sobre os eunucos, voltando... Aí, o lobo mau, cheio de atitude, sacou a importância do timing e estremeceu as bases da mocinha de figurino " todo vermelho sangue" (do chapeuzinho à lingerie)  e então ambos viveram o seu momento de plenitude. Ele com a forte pegada e com muito apetite, disposto a ouvir melhor, enxergá-la melhor e comê-la melhor (devido as suas respectivas orelhas grandes, olhos bem abertos e desejo voraz) e ela querendo um "algo mais" em todos os sentidos, tipo quero ser sua e bingo, o momento oportuno, inusitado rolou pros dois.... Pois é, tudo tem o seu timing, o seu tempo de estar inteiro, o momento que tudo faz sentido nos encontros da vida ou não...

Porran, sabe quando você se arruma toda e o cara perde o timing? O batom começa a derreter, a maquiagem desbota, a roupa amassa e você já começa a ficar com preguiça de sair, bate o soninho e a noite torna-se desinteressante porque aquele cara que você esperava, se atrasa muuuuuuuuuito pra tomar uma atitude... As suas amigas em qualquer bar por aí rindo escancaradamente ou um filminho com pipoca com o seu filho na sua cama quentinha passam a ser o encaixe muito mais que perfeito pra aquela noite do que aquela espera vazia. Véio já era! De boa, perdeu o timing! Whatsapp? What´s up ou o que está pegando? Pois é, nada!!! Esse é o problema, falta pegaaaaaaaada, não tem nada me pegando de jeito. E você chega a conclusão que não vale nem mais a pena responder as investidas virtuais: "oieee", "tá aí?", "tá acordada?", "tá por onde?". Estou passeando pela puta que o pariu enquanto o seu lobo não vem... Faça-me um favor! Ou pega ou não alisa.

Outra bola fora do timing é quando cada um vive o seu luto pelo término do relacionamento e depois das vidas refeitas e cada um no seu novo palco, alguma parte tenta desenvolver seu potencial mediúnico falando com o (a) falecido (a), encontrando gente morta e até “dormindo” com gente morta pra ver se é possível ressuscitar alguma coisa viva nessa história. “I see dead people” já é foda, necrofilia então nem se fala, é punk demais!!! Interagir com cadáver é complicado, você até pode se excitar com a ideia mas morto não reage. Cadê a alma que se perdeu com o timing de quando tudo ainda estava vivo? Ou espera o momento pra reencarnar ou se toca que perdeu o timing.

Timing é o tempo mágico que as coisas acontecem, é o tempo no sentido de oportunidade, pode ser que fique  lá apenas alguns raros segundos, pode ser que demore anos pra encantar mas tudo ainda precisa estar vivo. Quando perdemos o timing, deixamos passar a oportunidade ou nos antecipamos à magia dos acontecimentos... o encanto morre, desbota, sucumbe, é  o famoso “fudeu de vez”.

Observe o timing da vida, se não está em você no seu momento mais receptivo, não está inteiro em lugar algum, não se tornará pleno na sua vida. Então deixa essa merda pra lá! A sua intuição (que costumo definir como as coisas que sei mas que não faço a menor ideia de como sei),  saberá identificar os “timings” poderosos da sua vida, o que está em você plenamente em seu momento mais oportuno.

Tudo tem o seu tempo, cada coisa tem o seu momento e cada pessoa tem a hora certa para acontecer na sua vida!!! Sincronicidade, senso de oportunidade, intuição! E tenho dito, tem que ter o “táimim”!!! Só assim posso estar inteira com os outros, em tudo. Lançar-se ou recuar, não importa o que vai fazer, mas sim que seja no timing, que esteja em você! Ou "táimim"ou não está!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sexo, tortas e hot voo



A vida. Aaaah a vida!!! Biurifou laifi, que ai lovi tanto!!! Ela pode realmente ser surpreendente, aliás é claro que é! Rá! Desde que você consiga tirar a venda uruquenta que recobre os seus perfeitos olhos. Mandar as favas essa porra de antolhos é o que há de melhor. Sim meu povo, antolhos, anteolhos ou ante-olhos é aquela coisa que se coloca no carão do cavalo para limitar a sua visão e forçá-lo a olhar somente para a frente. Para os lados, jamais! Isso é equivalente ao sentimento de liberdade. Na verdade não basta a “carta de alforria” te libertando de algo ou alguém, é necessário sentir a semente da alforria sendo gerada, nutrida e parida em nosso íntimo, como um bebê que começa a se mexer e até chutar a barriga da mãe para dizer que está ali e, em breve colocará sua carinha sorridente pra fora, à vida e ao vivo. É preciso bancar a vida sem o seu senhor, aquilo ou alguém que submetia o seu desejo.

Enquanto procurava um cartório hoje antes de almoçar, passei por um novo restaurante, com o visual espetacular e um cheiro bastante agradável, pra dizer a verdade, inebriante. Já estava preparada psicologicamente para almoçar no meu “conhecidinho” , pequenininho, bastante familiar e aprazível restaurante. Mas algo me disse: “por que não?”. O novo restaurante parece bem interessante e, quem sabe a comida não é mais gostosa, cheirosa, leve e até mais bacana que a “conhecidinha”  comida com a qual você já estava “acostumadinha”?

Entrei boladona, apesar da fome. Comi, curti, gostei. Aliás, gostei muuuuuito! Melhor ainda: me deliciei! Que apetite novo foi despertado! Ao  entrar  vi que o espaço interno era muuuuito mais aconchegante e agradável que o outro restaurante e, a comida, sem sombra de dúvida muito melhor. A aparência do restaurante era bela, mais iluminada e muito clean. A comida era mais nutritiva, muito mais leve, bem mais saborosa, melhor textura e o visual então, nem se fala, dispensa comentários. Havia uma farra gastronômica a minha disposição e eu, timidamente, mal tinha conhecimento que aquelas opções de tortas, saladas, carnes e massas estavam ali, ao meu dispor, tão perto e tão desconhecida até aquele momento. Aaaah a porra dos antolhos, lembrei!!! 

Sucos maravilhosos também estavam no cardápio para saciar a minha sede. As opções de sobremesas eram intermináveis e com água na boca, devorei uma de minhas favoritas: torta alemã. Saciada e querendo voltar lá em uma próxima e oportuna vez, almoço ou jantar talvez, mordi os lábios e passei a língua bastante satisfeita com a minha nova aventura gastronômica. Fiquei tão bem alimentada que me senti disposta a fazer muitas outras coisas produtivas pelo resto da semana. Minha energia se multiplicou e o dia foi finalizado somente as 22:30 na esteira da academia, ofegante, suada, extasiada, após minha running class. O que uma boa nutrição não faz pela vida de uma pessoa né? Os anoréxicos em todos os sentidos (que negam a necessidade de se alimentarem) que me perdoem, mas comer bem é fundamental!!!

Pois é, a vida é assim, quantas vezes ficamos literalmente agarrados ao passado, ainda que o restaurante que achávamos que nos nutria tenha fechado as portas na nossa cara repentinamente. Ficamos muitas vezes sentados diante dele, nos perguntando porque fechou e o pior, morrendo de fome querendo ser fiéis a nossa preferência por aquela comida, que não está mais disponível para você. Aaaah a porra dos antolhos!!!

Quando nos damos a oportunidade de experimentar novos sabores, texturas, aromas e prazeres, podemos perceber o quão estávamos intoxicados por um consumo sem nutrientes, com alimentos incompatíveis (há tempos) com a nossa nova forma de vida, que nos fazia mal, além de nos deixar desnutridos e muitas vezes até com fome. Parecíamos mal educados diante daquela comida e até insaciáveis e sentíamos que tínhamos “defeito” por querer comer tanto aquela porcaria. E aquela comida indisponível parecia nos colocar no lugar de mendigos famintos e adictos por mais comida. Mas, fato é que a comida era inconsistente, pobre em nutrientes, escassa em quantidade e rara em qualidade. Então, fodam-se os antolhos!!!

Se o restaurante fechou ou te deixou com fome ou passando mal muitas vezes, pense bem se não está na hora de visitar outros aprazíveis centros gastronômicos. Você pode se encantar e se surpreender com a vida e consigo mesmo, principalmente sobre o fato de você ter assumido a personagem clássica diante da vida de “catador ou catadora de migalhas”. Mande o restaurante e os antolhos pra puta que o pariu!!!

Está na hora de se fartar de vida e prazeres saborosos e mais nutritivos. Catar migalhas é pra passarinhos, faz tempo que está na hora de virar uma águia. Que venham os voos cada vez mais altos e belos!!! Aliás quanto mais altos os voos, mais perto do sol, mais quentes, mais iluminados… Ótimos hot voos!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Controle de alto risco



Ela levanta bem cedo, espreguiça, toma o seu Prozac  e coloca um copo de leite durante um minuto e meio no microondas, depois passa para a xícara (porque o copo esquentou demais) e então mistura com o café e coloca uma gota, apenas uma gota de adoçante na xícara, mistura com a colherzinha, toma o seu complexo de aminoácidos e vai pra academia.

Tudo sempre igual pra garantir, que de alguma forma, ela tem algum controle sobre a sua vida.

Volta rápido depois da sua corrida na esteira e da série intercalada de exercícios de musculação. Não deu tempo de fazer a aula de alongamento. Corre, dá o café da manhã pro filho, beijo na bochecha e vai trabalhar. Faz de novo tudo sempre igual, chega antes no trabalho, bebe água, liga o ar e dedica-se  cuidadosamente as questões que foram colocadas em análise em seu ofício.

Tudo sempre igual pra garantir, que de alguma forma, ela tem algum controle sobre a sua vida.

Então ela volta do trabalho, estuda, dá atenção pro filho, coloca a produção textual em dia, arruma  algumas coisas, retorna as ligações, lembra que tem que comer alguma coisa, toma um banho e tenta dormir.

Tudo sempre igual pra garantir, que de alguma forma, ela tem algum controle sobre a sua vida.

Então, quando o dia acaba, todos dormem e a noite já caiu há algum tempo, ela inicia as análises da sua vida, do seu dia, sente falta daqueles que se foram e que deixaram marcas, sente saudades do amor que ainda não viveu, sente a lua tocar o seu rosto arrancando uma e depois algumas lágrimas, sente o cheiro dos seus medos, sente a sensação dos gritos do seu coração, ouve o toque suave da brisa da noite e sente o olhar das folhas que caem das árvores.

Tudo sempre igual pra garantir, que de alguma forma, ela tem algum controle sobre a sua vida.

Então não consegue dormir e pensa que o outono está por vir, vai chegar de mansinho trocando as folhas, caindo a temperatura e trazendo calma, quietude e descanso para a alma, porque a noite, não temos de verdade controle sobre nada.

É tudo sempre diferente pra permitir, que de forma alguma, a alma se sinta aprisionada sobre a vida.

Ela tomou um Rivotril pra reaprender a dormir e só então depois voltar a sonhar.Ela acordou depois de conhecer e não lembrar mais de nenhum sonho esta manhã. Onde foram parar os seus sonhos? 



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Precisamos é de um início de mundo novo


Daqui a menos de 3 horas fogos de artifício, luzes no céu, o tilintar de taças de bebidas, música, risos, abraços, distâncias e lágrimas marcarão o evento da virada do ano. Um ciclo proposto se finaliza com o respectivo balanço e a lista com as novas metas desenha as mudanças almejadas.

Nos últimos tempos, falou-se  muito dos últimos dias para o fim do mundo. É surpreendente como uma pedra na cabeça, seja uma doença grave ou um anúncio de fim do mundo é capaz de desvelar os desejos mais profundos e verdadeiros das pessoas, mudando a perspectiva e até o comportamento de muitos de nós.

Há quem fale sobre não querer findar sua história sem ter sido mãe ou pai, há aqueles que desejam um mundo mais igualitário, onde todos pudessem se despir dos seus valores (morais e financeiros) e saíssem as ruas completamente nus de todos os seus pudores e horrores e, despidos dos seus preconceitos e crenças.

Tem aquelas pessoas que se lembram da música “(...) andava pelado na rua, transava sem camisinha (...)”, liberdade tamanha é o que se quer  e outras que gostariam de falar umas verdades para uns e outros. Ainda na lista, fazer uma festa rave com os amigos ou plagiar novamente o Paulinho Moska “(...) abria a porta do hospício, trancava a da delegacia, dinamitava o meu carro, parava o tráfego e ria (...)”.

Alguns desejam voltar para a sua terra natal ou até simplesmente viver mais um pouco para realizar tanta vida que há dentro de si. Há quem deseje abrir o jornal e ler uma matéria dizendo que as desigualdades sociais acabaram e que todos se sentem e são realmente iguais. Vontades simples como sentar-se para beber uma boa Stella Artois gelada, beijar na boca e esperar o fim também faz parte dos desejos de fim de mundo. Dizer tudo o que for importante para as pessoas importantes pra que nada fique por dizer e encher de amor as pessoas queridas é o que tem pra antes do fim do mundo também.

É interessante como essa profecia foi capaz de despertar os melhores desejos mas também de precipitar as mais bizarras atitudes, desde término de relacionamentos, construções de abrigos subterrâneos com armazenamento de alimentos e festas reunindo pessoas para celebrar a fatídica “última vez” juntos.

Palhaçada do cacete!!! O fim do mundo já acontece faz tempo e ninguém vê?

O fim do mundo se traduz mesmo é no egoísmo com que as pessoas conduzem as suas vidas, olhando só para a sua própria história.

O fim do mundo se vê nos olhos de uma criança passando fome de comida, de afeto, de proteção e de família.

O fim do mundo se expressa na escolha da solidão das pessoas em detrimento a partilha do amor.

O fim do mundo se inscreve no sistema político corrupto dos candidatos que elegemos e que, não acompanhamos.

O fim do mundo é tirar a roupa para alguém quando se quer despir a alma para o amor.

Fim do mundo é não sorrir quando se vê uma criança feliz ao brincar com uma borboleta.

Fim do mundo é querer ficar só porque acha que se relacionar dá muito trabalho.

Fim do mundo é não ter pelo menos um amigo que você possa ligar na madrugada aos prantos porque levou um pé na bunda.

Fim do mundo é ser definido pelo que você fez a mais ou de menos, mas não por tudo que você é.

Fim do mundo é ir embora sem nunca ter chegado de verdade.

Fim do mundo é enganar a si mesmo, quando seus olhos denunciam outros desejos.

Fim do mundo é não ser humano de verdade.

O fim do mundo enfim, se lê na falta de amor, de respeito, de companheirismo e de cuidado entre nós.

O fim do mundo está acontecendo há tempos e quase ninguém vê.

O fim do mundo já foi, está na hora de reconstruí-lo diferente e isso, cabe a cada um de nós.

Um novo ano para todos nós, com atitudes, perspectivas e sentimentos melhores do que antes! Vamos inaugurar um novo mundo porque dia 21de dezembro de 2012 ele não acabou. Sejamos melhores e maiores que as nossas vaidades e egoísmos. Que venha 2013!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Amores, bundas e pé na bunda


O pé na bunda (apesar da dor física insuportável, que reflete diretamente e de forma aguda no peito, irradiando no coração a sensação de ter sido triturado), gera impulso e força para se seguir em frente e por isso, pensando bem, deveria ser chamado de pé na estrada.

Quando levamos um desses e, diga-se de passagem: QUE MERDA! temos a oportunidade de sair por aí com a bunda na estrada, cabelo ao vento e sem direção. No início essa cena não parece nem um pouco hollywoodiana, até porque dói pracaralho, mas depois que se reaprende a ser feliz colado em sua própria companhia, é só empinar a bunda, colocá-la na estrada,  refazer o pacto com seu amor próprio e brindar com o espelho.

Pior quando “o” ou “a” debandante propõe: “vamos dar um tempo, encare isso como um tempo separados.” Putz, tradução: “pessoa babaca, fica aí me esperando com esse miserável e inconsolável coração enquanto eu ponho o pé na estrada e, se eu me arrepender, volto para o seu colo quente me aguardando.”

Ô coisa deprimente término de relacionamentos! A gente nunca vai ficar satisfeito (a) mesmo. Não tem jeito, você entrou com a bunda e o outro entrou com o pé, não há como ter uma finalização harmoniosa e igualitária. Não tem como ser digno. Ficar se questionando se foi por e.mail, se levou 5 minutos dentro do carro, se foi por telefone, na semana do seu aniversário, se foi inesperado, não importa, o essencial é que não será mais. Pare de chorar pitangas, amoras ou saudosos amores! A-C-A-B-O-U!

Acredite, ficar tentando entender o que você fez a mais ou de menos, identificar onde foi que errou, o que passa na cabeça de quem chutou a sua bunda, se tomou toddynho estragado, se foi ele (a) ou você quem deu defeito, se há outro ou outra na parada, se os astros estão de mau humor, se combinam ou não,
E-S-Q-U-E-CE! Nada disso te servirá para porra nenhuma.

Fato é: ele ou ela, não está mais ou nunca esteve a fim de você! A verdade peladona é que não houve disposição suficiente para resolver conflitos, transformar as crises em oportunidades, as diferenças em atitudes respeitosas e as conversas honestas em intimidade. Resumindo, não houve amor!

O sociólogo Bauman nos convida a uma reflexão no seu livro “Modernidade líquida” (vale a pena conferir) sobre a individualização nos dias de hoje pois “(...) o que aprendemos antes de mais nada da companhia de outros é que o único auxílio que ela pode prestar é como sobreviver em nossa solidão irremível, e que a vida de todo mundo é cheia de riscos que devem ser enfrentados solitariamente.”

Pena que muitas pessoas não acreditam mais que os relacionamentos podem trazer uma realidade alternativa, tornando os problemas mais fáceis de serem manejados, quando confrontados e trabalhados em parceria. As relações hoje são instantâneas e descartáveis, deu defeito eu me desfaço, elimino, jogo fora! Ninguém quer consertar, reconstruir ou cuidar de mais nada. E isso vai de celulares aos relacionamentos, tudo tão líquido, instantâneo, descartável.

Nesse ponto tenho um saudosismo meio masoquista pelas histórias de alguns casais, a maioria de “antigamente”, quando as pessoas eram mais dispostas a consertarem, negociarem e reconstruírem as coisas. Deu defeito, a gente conserta, está doente, a gente cuida, está triste, vou te arrancar um sorriso, está sem ânimo, vamos buscar juntos uma solução, faltou a grana a gente junta o que tem. A questão era trabalhar em conjunto, lado a lado. É lógico que não há como mumificar os processos, o mundo mudou, as pessoas mudaram, as gerações anteriores sofreram várias pressões e atravessamentos para não se separarem, mas em contrapartida as relações não eram tão descartáveis assim.

É tanto, que pasmem, é possível um ex. casal se cruzar na rua após o rompimento e se cumprimentarem com um tchauzinho patético. Lamentável essa cena cretinizante e insignificante pós relacionamento. “O” cara ou “a” cara partilhou dissabores e sabores contigo, drama e cama e, ops, derepente você pensa: que triste! Talvez fosse melhor nunca ter cruzado pela primeira vez com essa figura, quiçá agora, nessa faixa de pedestres.

Pior ainda são as explicações pra boi sonhar após tomar Rivotril. São mais trágicas muitas vezes que o rompimento em si. Porra, pára com essa lamúria de merda! Faltou amor e pronto!

Simplesmente agradeça o pé na bunda e saiba que as maiores inspirações e criações emergem depois de histórias de horror e dor. A cantora e compositora britânica Adele, estourou mesmo com toda a sua potência após seu namorado ter virado fanta uva, tendo preferido a cheirada no cangote de outro marmanjo à voz melodiosa da Adele ao pé do ouvido. Pois é, a vida é assim...

Podem me chamar de conservadora mas sou mesmo pré-histórica. Gosto mesmo é das coisas e pessoas com as quais já tenho uma relação de intimidade, gosto de celular que já sei mexer, aquele antigo que já sabe até a hora de me acordar e só troco quando não tem outro jeito. Gosto daquela conchinha tão perfeita que já tem o formato da sua bunda na barriga do outro e, é uma delícia amanhecer com a orquídea que você tem tatuada nas costas na pele do outro. Adoro aquele vestido que tem história, amo cheiro que tem memória. Gosto mais dos sapatos que já tem o forma do meu pé. Curto aquelas ruguinhas que mostram a doçura e um certo embaraço no sorriso do ser amado.

Verdade mesmo é que, quando “o” cara ou “a” cara quer, faz acontecer juntos e, é claro, vocês se tornam muito melhores e mais potentes.

Aceite que você deixou de ser (ou nunca foi) aquele sucesso deslumbrante, aquela cor cintilante, uma atração estonteante, um prazer inesperado, para se tornar uma perturbação ambulante na vida do outro (ou um caminhão de problemas como já ouvi por aí).

Mas vejam bem, verdade, verdade mesmo, verdade mesmo de verdade (pra mim é claro) é que UM GRANDE AMOR é fácil de se reconhecer, ele APENAS PRECISA SER COMO A BUNDA: MERDA NENHUMA SEPARA.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Simplificando a vida...

Eu sempre imaginei que não faria sentido algum envelhecer, ver o corpo “empelancar”, o rosto virar papel crepom, o cabelo mudar de cor (de preto para branco e/ou cair), a memória falhar (amostra grátis do Alzheimer), a barriga crescer e a bunda cair. Preferia que a barriga se extinguisse e a bunda crescesse, por exemplo. Há de se ter um propósito, se não houvesse ganhos que compensassem  esses e muitos outros déficits. Porra, essa história de "melhor idade" não me convence.

E, finalmente na proximidade dos 40, as respostas começam a aparecer, uma atrás da outra, como se muitas coisas passassem a fazer sentido somente agora. Mas, a melhor de todas as minhas descobertas dos últimos tempos posta em prática, graças a uma antiga ajuda de Millôr Fernandes, quero partilhar com vocês.

Eu descobri que viver pode ser mais simples do que se imagina. Sempre achei o sistema binário fácil de se lidar: sim ou não E PONTO.  Na música, ao compasso, o ritmo é formado por 2 tempos. Essa simplificação da função binária, apresentando apenas 2 variáveis, embora medíocre, torna a vida mais fácil.

Mas algo nesse modus operandi ainda não encaixava o meu lego. Eu queria mais… Então, coloco em prática a nova função, o sistema de respostas trinário. Um cientista americano descobriu um planeta com 3 sóis e vejam um dos comentários: "com 3 sóis, a vista do céu deve ser de outro mundo - literalmente e simbolicamente." Ou seja, um sistema trinário é muito bem vindo.

A vida então, com 3 variáveis, vejamos com o 3º elemento:

(      ) sim
(      ) não
(      ) foda-se

Agora sim, tudo fez sentido.  Há 3 respostas para as questões: sim, não e foda-se. Plenamente possível viver apertando somente 3 botões. Já experimentou? Tenta só! Dá até pra refazer uma música: e a vida o que é, diga lá meu irmão, sim, não e foda-se, é bonita, é bonita e é bonita...

Então, de acordo com Millôr Fernandes em “Palavrão - uma terapia”:  “o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de ´foda-se!´ que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ´foda-se!´? O ´foda-se!´ aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.´Não quer sair comigo? Então foda-se!´. ´Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!´. O direito ao ´foda-se!´ deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se."

Na verdade, de forma diametralmente oposta, ao mesmo tempo que o “foda-se” te recoloca em seu eixo, também traz a tona a constatação do total descontrole que temos sobre as situações…

É quando percebemos que não podemos controlar alguma ou nenhuma (o que é mais comum) variável do problema.  Seu filho não quer comer e você já tentou de tudo: foda-se (uma hora o pela-saquinho vai sentir fome e pedirá biscoitos, você então entuba a comida). Seu namorado não te corresponde: foda-se (uma hora um concorrente – ou vários – vai  querer fazer história ao seu lado, rendendo galanteios e muitos elogios para você, e então, o retardatário se manca ou leva um cartão vermelho). Seu cliente não gostou do job que você fez com tanto empenho: foda-se (ou você refaz e aprende pra caralho com as críticas recebidas ou perde o cliente).

Tentava ontem mesmo explicar ao meu filho o que é ser um gay, já que ele tinha convivido com alguns  na festa de uma amiga. Mas lá, o gay vestia-se de homem, com trejeitos femininos ou melhor exageradamente delicados e, expliquei que apenas “é um cara que gosta de namorar outros homens”, disse-lhe. Logo depois, na Lapa, ele viu alguns travestis e perguntou a respeito, respondi que aqueles eram caras que queriam ser mulher, por isso se vestiam de mulher, pois gostariam de ter nascido em um corpo feminino Então ele perguntou: "igual ao fulaninho?". Referindo-se a um amigo hetero, que no último Carnaval, vestiu-se de mulher na farra do bloco das piranhas e, apesar de muito muito muito macho, estilo Homem com H maiúsculo, foi eleito a “Musa da Fauna”, pois travestia-se com um macacão "vem cá me chupa todo", apertadaço, a moda tigresa, completamente vazado, com arquinho de girafinha nos cabelos e maquiagem tipo "Priscila: a rainha do deserto". A "Musa da Fauna", como ficou conhecido, arrancou suspiros, elogios e notas dos trausentes nas categorias: “Jesus!!!”, “Minha nossa senhora!!!”, “Caralho!!!” e até Deus não foi poupado “Meu Deus, o que é isso?”. Aí deu nó na cabeça do moleque!!!  E, teve uma hora que ele disse: "mamãe, esquece!". Eu obedeci, já estava mesmo falando um monte de merda, sem sentido algum.

Não é binário, nem trinário, é sem explicação, foda-se! Não tinha o que dizer... Apenas respondia: sim, não e, nem o “foda-se” deu conta. Talvez nos próximos posts, pense em algum outro botão: tipo “caguei”, será?


Enfim, o foda-se te desobriga a ter responsabilidade por aquilo que você não pode controlar, mesmo que em todas as ocasiões você tenha dado o melhor de si. Até que gostaria, mas não depende só de você. Comer depende do apetite do pirralho, a correspondência do amor do seu namorado só depende do desejo ( que deve ser espontâneo) dele, o job depende do gosto e da opinião do cliente. 

E as novas modalidades afetivas, sexuais ou nos figurinos? Estes estão se atualizando mais rápido que o futuro, nem eu, simpatizante que sou, acompanho. Me traz de volta do futuro e me faz desaparecer?  Peço que me atualizem e me orientem sobre o que dizer ao meu filho. Não sei mais quem é quem, o que faz, por que faz e pra quem faz. Ou seja, não podemos ter controle em nenhum dos casos sobre o desejo do outro e, nem tampouco ter entendimento sobre o comportamento social, cultural, sexual, etecetera e tal, então: foda-se!

Foda-se também pode ser traduzido por: “entrega para o poder superior, ou seja, dá mais trabalho pro cara lá em cima já que tu é preguiçoso pra carai”, “não há nada que eu possa fazer por você, então vaza e vai se masturbar”, “que problemão hein, e teu, então vai relaxar e gozar!”,  “deixa a vida me levar ou te levar”, "vai para a casa do pênis",  “segue o fluxo”, “deixa ao acaso”, "vai fazer tempestade em tampinha de xarope", "vai viajar num container de maionese", há tantas variações de significados. E, na interpretação mais profunda (na minha opinião)  e mais real de todas: foda-se = vai se masturbar (só assim podemos nos foder) = ter orgasmos = momentos de grande prazer na vida.

Então, no ruim de tudo, mesmo você achando que a pessoa que te disse isso quer o seu mal, ela está te estimulando a fazer algo de bom pra si mesmo e por si mesmo. Quer maravilha maior que essa? Então passe a dizer mais "foda-se" para as pessoas. É realmente terapêutico, principalmente para as anorgásmicas, são as que mais precisam se foder.

Se concorda, marque sim (     ). 
Se achou trash, faça uma cruzinha aqui no não (     ). 
Se nada disso te contemplou, então FODA-SE (     )!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres e roscas


 Gosto de acordar no dia 8 de março e observar o que a data significa em cada rosto, em cada aparente expectativa, tola ou nobre,  no íntimo de cada coração feminino e mais, no ato de parabenizar de cada valete.


Enquanto passava pelo Largo do Machado, apressada para o trabalho, ouvia um homem com uma caixa transparente gigante na cabeça, gritando: “quem vai comer a minha rosca?”, “acabei de tomar banho e a minha rosca tá limpinha!”, “vem que a minha rosca tá pegando fogo”, “pega aqui minha rosquinha” . E, lá se foi o homem que ofertava rosca pela calçada do Flamengo. Ele gritava e cantarolava oferecendo por toda a parte a sua rosca, enquanto homens e mulheres riam, olhavam e comentavam.

No meio disso tudo, homens parabenizavam as mulheres, distribuíam rosas, bicicletas entregadoras de flores passavam por todos os lados e mulheres com buquês de flores nas mãos circulavam pelas ruas, com uma pitada de glitter, estampada em sua autoestima.

Penso que muitos e muitas nem sabem o que a data significa, que os “parabéns” do frentista que abasteceu meu carro, do porteiro do meu consultório, do meu dentista, dos meus amigos é um mero ato agradador sem significado, pura publicidade. Alguns nem lembram, sequer mencionam algo sobre a data. Tem horas que dá vontade de pedir pra parar o mundo pra descer dessa merda...

E eu honestamente fico dividida! Gosto dos galanteios masculinos (que mulher não gosta?), mas quase não me aguento, de formigamento mental,  para perguntar se as pessoas sabem da história das mulheres que viraram "churrasquinhos", carbonizadas em uma fábrica pela luta por condições dignas de vida e trabalho. Elas só queriam reinvidicar pela diminuição da carga horária de 16 para 10 horas, equiparação salarial em relação aos homens e um tratamento respeitoso no ambiente de trabalho.

Caramba, é por isso que a data existe!!! Por causa dessa desgraceira toda, resultado de uma manifestação reprimida com total violência, em 1857, no dia 8 de março, em Nova Iorque. E, essa história não é bonita como as pessoas fazem parecer!!! 130 mulheres operárias de uma fábrica foram brutalmente assassinadas, sem chances de qualquer negociação pelo direito à vida!!!

Pois é, acho que a data é especial sim, em memória das que lutaram por causas nobres antes de nós e deve ser celebrada certamente, mas com a consciência de homens e mulheres que sabem o motivo da celebração. Que conhecem no cotidiano de suas relações, a alma de cada guerreira (carbonizada), contida em suas namoradas, esposas, mães, amigas, filhas ou simplesmentes damas trausentes nas ruas; que demonstram em seu jeito de agir, no seu tom de voz, em seu modo de expressão; o dom da renovação, as marcas da luta, a sensibilidade que acolhe e as lágrimas que curam, que fazem a diferença na vida de qualquer ser que conhece uma grande mulher.

Ser mulher é ser dezenas de papéis, é usar colar e anéis, é não usar nada, é poder usar tudo, é ser modelo, é ser fotografada nua em pelo sem os seios, é amar flores, é ter TPM, é acalentar as crianças, é pintar as unhas de vermelho, é roer as unhas, é reclamar do elogio ou da falta dele, é brigar com o corpo, é fazer as pazes com a mente, é fazer charme sexual, intelectual, é se desenvolver no plano espiritual, é fazer lipo, é engordar e fazer a campanha pelas baleias, é ter fé no ser humano mas duvidar da vida, é gostar de andar descalça na areia, é curtir andar de salto alto, é ser pura contradição, é contradizer o seu próprio puro ser, é tudo isso e acima de tudo é exalar no olhar, no seu modus operandi a força capaz de regenerar pessoas, fazer valer ideais e transformar toda uma sociedade.

Parabéns aos homens e mulheres que sabem o PORQUE celebramos esse dia, o resto, o resto é rosca!!! Receber ou dar os parabéns sem significado é como publicizar, aos gritos, algo estereotipado, como o vendedor de roscas... que, ao menos é muito, muito engraçado.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Entrega


Se me queres bem
Mas não me tens sempre
Te quero também sem amarra nenhuma

Mas que droga de sociedade
Que produz subjetividades
E diz que as almas tem que virar apenas uma

Gosto de dizer o que é bom pra mim
Porque o mundo é feito de diversidades
E não cabe imposição alguma

Então deixa tudo como está
A gente se encontra por espontânea conexão
Já que é suficiente quaisquer desejo que nos una

Quanto mais livres
Mais amarrados estamos, sem planos
Arrisco dizer que é um intenso amor que se aventura

Só não o chamo de amor perdido
Porque o encontrei
Porém bandido, me assaltou por desventura

Também não diria que é amor realizado
Pois parece não querer ser publicado
De toda forma me sinto tua

Por isso fico toda nua
Isso, fico toda nua!
Fico toda nua.
Toda nua...
Nua, tua, toda.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Do apogeu à apneia, o amor está puto!

O amor está puto! Ele vive uma síntese perturbadora nos dias de hoje. Os desejos se colocam em justaposição ou em contraposição. A “falta de tempo” como justificativa e a clara indisponibilidade emocional, condição offline daqueles que assim se colocam X os disponíveis e generosos que colocam a sua autoestima em queda livre, esperando que o outro mude o seu status para online e assim se conecte numa relação.

O amor está puto! Uma parte do amor é generosa e aceita a fome como condição de subsistência, a outra é masoquista, sofre e permanece faminta. Ainda assim, ele insiste em existir, não sabemos até quando.

O amor está puto! Condenado a viver pra sempre, embora se limite com a vida curta, o amor quer um último recurso. Não sabe bem o que fazer nos tempos modernos.

O amor está puto! Assim, entrou em colapso e, desesperado, sem falta de cuidado, sentou e chorou abraçado com a tristeza. Lamentou por ter sido tratado com tanta falta de gentileza e ausência de reciprocidade.

O amor está puto! Solitário, ele decidiu partir, mas não antes de procurar compreensão na razão das palavras. Burro? Não, não é. O amor é sábio, ele não é de graça, ele quer disponibilidade, carinho, atenção e reciprocidade, embora muitos insistam em dizer que ele é totalmente gratuito e incondicional. Então, voltemos a busca pelas palavras que possam socorrer o amor.

O amor está puto! E eu, particularmente, a autora desse texto, adoro brincar com as palavras, elas exalam sentimentos e tem vida própria na mensagem que meu cérebro envia para as minhas digitais. Elas dançam e rodopiam na minha cabeça despretensiosamente, da mesma forma que dizem por aí que sou escritora. E eu vou organizando cada uma delas delicadamente na tela do computador, enquanto afoitamente as digito. Coloco pra lá e pra cá, edito, busco outros significados e lá vão elas, redefinindo, desenhando outros código na minha cabeça e na dos meus leitores. Às vezes, um palavrão é insubstituível e nada daria conta de manifestar o que amor está sentindo, por isso ele está tão desbocado.

Afinal, o amor está puto! Então, procurou a letra “A” no dicionário, tal onde mora catalogado entre outras diversas atribuidoras de significados e significantes. Encontrou algumas palavras vizinhas que pudessem oferecer sentido a sua falta de sentido: apogeu, apodrecer, apoderar, apocalipse e apneia.

O amor puto então, atingiu seu auge, passou do timing, tomou posse e suspendeu a respiração, sufocou.

O amor continua puto! Diante de tais palavras, sucumbiu asfixiado de tanto egoísmo e hostilidade a sua volta. O amor pela primeira vez se viu covarde e, é claro, puto!

Do apogeu à apneia, o amor só queria um pouco de poesia. Quem sabe em outro lugar, algum dia. Por enquanto o amor só sabe que está puto e que, a partir dos encontros é que ele se transforma e assim, modifica o mundo.

O amor sabe que é dele que podemos extrair o melhor material que constrói a nós mesmos e consequentemente a um mundo melhor, por isso ele está tão puto!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não há como voltar a ser como antes

Fui tua, foste meu, que mais queremos?

Ainda somos talvez por ontem ou daqui a dois segundos, algo que não sabemos: o que desejamos um no outro, o que queremos um do outro, as linhas de fuga de duas vidas que seguem lado a lado dispostamente atraídas. Pra que, por que, pra onde, como?

Uma mulher e tampouco um homem, não navega nunca no mesmo mar novamente, muitos peixes, seres viventes e banhistas mergulharam nessas águas, modificando os mares e os mergulhadores. Pitágoras já dizia: "um homem não pula duas vezes no mesmo rio". Nenhum dos dois é mais o mesmo depois da aventura do mergulho. As águas do rio passam e o homem se transforma. Então, pra que insistirmos em sermos como éramos antes? Não seremos!

Devemos aprender a gostar de ser como agora, depois de tantas experiências, mergulhos e aventuras. Esse é o aprendizado estruturante da vida, com todas as suas delícias e frustrações.

Pessoas me procuram em meu consultório me pedindo implicitamente em suas queixas: "eu quero ser como antes" e elegem determinada época e situação de sua vida, interpretada agora como feliz.

Eu sempre frustro as pessoas com as quais trabalho e convivo, a fim de ajudá-las nessa reedição. Eu digo um "não" estruturante: "situe-se, essa missão é simplesmente impossível no tempo e no espaço."

Não sejamos idiotas e não vamos agir como dois. Se você por acaso conseguisse ser como antes, o resultado trilhado por este caminho seria exatamente o mesmo, como agora, um ser frustrado a minha frente pedindo pra retroceder no tempo e no espaço. 

Então eu convido : "Quer aprender a usufruir do "ser" como agora?" "Quer tornar-se 'vir- a-ser' depois de antes e de agora, algo novo?"

Construo o meu caminho junto com aqueles que o cruzam, mais ou menos assim: 

Para ALÉM do cogito, o impensado
                       das experiências, o transcendental
                       do planejado, o inusitado!

Eu quero! Vem comigo inusitado, aqui tem espaço pra você! A nossa memória pode ser uma  interessante ilha de edição ao invés de ressuscitarmos um cemitério inteiro de tudo que não nos serve mais, contaminando todas as nossas novas experiências.