segunda-feira, 18 de julho de 2011

Do apogeu à apneia, o amor está puto!

O amor está puto! Ele vive uma síntese perturbadora nos dias de hoje. Os desejos se colocam em justaposição ou em contraposição. A “falta de tempo” como justificativa e a clara indisponibilidade emocional, condição offline daqueles que assim se colocam X os disponíveis e generosos que colocam a sua autoestima em queda livre, esperando que o outro mude o seu status para online e assim se conecte numa relação.

O amor está puto! Uma parte do amor é generosa e aceita a fome como condição de subsistência, a outra é masoquista, sofre e permanece faminta. Ainda assim, ele insiste em existir, não sabemos até quando.

O amor está puto! Condenado a viver pra sempre, embora se limite com a vida curta, o amor quer um último recurso. Não sabe bem o que fazer nos tempos modernos.

O amor está puto! Assim, entrou em colapso e, desesperado, sem falta de cuidado, sentou e chorou abraçado com a tristeza. Lamentou por ter sido tratado com tanta falta de gentileza e ausência de reciprocidade.

O amor está puto! Solitário, ele decidiu partir, mas não antes de procurar compreensão na razão das palavras. Burro? Não, não é. O amor é sábio, ele não é de graça, ele quer disponibilidade, carinho, atenção e reciprocidade, embora muitos insistam em dizer que ele é totalmente gratuito e incondicional. Então, voltemos a busca pelas palavras que possam socorrer o amor.

O amor está puto! E eu, particularmente, a autora desse texto, adoro brincar com as palavras, elas exalam sentimentos e tem vida própria na mensagem que meu cérebro envia para as minhas digitais. Elas dançam e rodopiam na minha cabeça despretensiosamente, da mesma forma que dizem por aí que sou escritora. E eu vou organizando cada uma delas delicadamente na tela do computador, enquanto afoitamente as digito. Coloco pra lá e pra cá, edito, busco outros significados e lá vão elas, redefinindo, desenhando outros código na minha cabeça e na dos meus leitores. Às vezes, um palavrão é insubstituível e nada daria conta de manifestar o que amor está sentindo, por isso ele está tão desbocado.

Afinal, o amor está puto! Então, procurou a letra “A” no dicionário, tal onde mora catalogado entre outras diversas atribuidoras de significados e significantes. Encontrou algumas palavras vizinhas que pudessem oferecer sentido a sua falta de sentido: apogeu, apodrecer, apoderar, apocalipse e apneia.

O amor puto então, atingiu seu auge, passou do timing, tomou posse e suspendeu a respiração, sufocou.

O amor continua puto! Diante de tais palavras, sucumbiu asfixiado de tanto egoísmo e hostilidade a sua volta. O amor pela primeira vez se viu covarde e, é claro, puto!

Do apogeu à apneia, o amor só queria um pouco de poesia. Quem sabe em outro lugar, algum dia. Por enquanto o amor só sabe que está puto e que, a partir dos encontros é que ele se transforma e assim, modifica o mundo.

O amor sabe que é dele que podemos extrair o melhor material que constrói a nós mesmos e consequentemente a um mundo melhor, por isso ele está tão puto!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não há como voltar a ser como antes

Fui tua, foste meu, que mais queremos?

Ainda somos talvez por ontem ou daqui a dois segundos, algo que não sabemos: o que desejamos um no outro, o que queremos um do outro, as linhas de fuga de duas vidas que seguem lado a lado dispostamente atraídas. Pra que, por que, pra onde, como?

Uma mulher e tampouco um homem, não navega nunca no mesmo mar novamente, muitos peixes, seres viventes e banhistas mergulharam nessas águas, modificando os mares e os mergulhadores. Pitágoras já dizia: "um homem não pula duas vezes no mesmo rio". Nenhum dos dois é mais o mesmo depois da aventura do mergulho. As águas do rio passam e o homem se transforma. Então, pra que insistirmos em sermos como éramos antes? Não seremos!

Devemos aprender a gostar de ser como agora, depois de tantas experiências, mergulhos e aventuras. Esse é o aprendizado estruturante da vida, com todas as suas delícias e frustrações.

Pessoas me procuram em meu consultório me pedindo implicitamente em suas queixas: "eu quero ser como antes" e elegem determinada época e situação de sua vida, interpretada agora como feliz.

Eu sempre frustro as pessoas com as quais trabalho e convivo, a fim de ajudá-las nessa reedição. Eu digo um "não" estruturante: "situe-se, essa missão é simplesmente impossível no tempo e no espaço."

Não sejamos idiotas e não vamos agir como dois. Se você por acaso conseguisse ser como antes, o resultado trilhado por este caminho seria exatamente o mesmo, como agora, um ser frustrado a minha frente pedindo pra retroceder no tempo e no espaço. 

Então eu convido : "Quer aprender a usufruir do "ser" como agora?" "Quer tornar-se 'vir- a-ser' depois de antes e de agora, algo novo?"

Construo o meu caminho junto com aqueles que o cruzam, mais ou menos assim: 

Para ALÉM do cogito, o impensado
                       das experiências, o transcendental
                       do planejado, o inusitado!

Eu quero! Vem comigo inusitado, aqui tem espaço pra você! A nossa memória pode ser uma  interessante ilha de edição ao invés de ressuscitarmos um cemitério inteiro de tudo que não nos serve mais, contaminando todas as nossas novas experiências. 

domingo, 12 de junho de 2011

Agora nada!

Eu sabia que seria intenso me entregar
Eu sabia que seria intenso
Eu sabia que seria
Eu sabia
Eu queria ser amada profundamente
Eu queria ser amada
Eu queria
Eu apenas vivia com os sentimentos a flor da pele
Eu apenas vivia com os sentimentos
Eu apenas vivia
Eu morria de vontade de amar de novo
Eu morria de vontade de amar
Eu morria de vontade
Eu morria
Eu sonho em algum momento renascer
Eu sonho em algum momento
Eu sonho com alguém
Eu sonho
Nada agora parece ter sentido pra mim, tudo está vazio
Nada agora parece ter sentido pra mim, tudo está
Nada agora parece ter sentido pra mim
Nada agora parece ter sentido
Nada agora parece ser
Nada agora
Nada agora
Nada
Não se afogue...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Urbanita



Urbanita caminhava pela cidade procurando flores, poesia e alma
Mas somente encontrava coração duro, heresia e ausência de calma
Urbanita queria viver integrada à natureza
Mas se surpreendia com tamanha destruição e avareza
Urbanita desejava um pouco mais de vida
Mas o que via era a imitação de uma estátua viva
Urbanita adorava correr com os lobos
Mas por infortúnio acabava se deparando apenas com tolos
Urbanita não quer mais ser habitante da cidade selvagem
E almeja ser na floresta a mistura daquela paisagem
Urbanita se perde às vezes em desventuras
Mas certamente tem sabedoria para usufruir de suas melhores aventuras
Urbanita não quer mais receber apenas migalha
Porque sabe que merece o amor pleno ou o sentimento que o valha
Urbanita desperta!
É só deixar a porta aberta...

Um dia...

Um dia dei risadas até a bochecha doer 
No outro os olhos cerraram de tanto sofrer
Um dia não encontrei palavras para expressar a dor
No outro meu corpo manifestou a falta de amor
Um dia acordei e as minhas células haviam se degenerado
No outro dormi e os cabelos já tinham crescido de novo desgrenhados
Um dia me revoltei imensamente por não ter um filho
No outro lutei vorazmente por sua vida que esteve por um fio
Um dia acordei e visitei meu pai
No outro adormeci chorando seu luto pela vida que se esvai
Um dia fui a filha do meio
No outro senti saudades do irmão que se foi e anestesiei a dor que veio
Um dia amei alguém desmedidamente
No outro chorei a sua falta de entrega compulsivamente
Um dia agradeci por todo o amor que sinto
No outro lamentei profundamente por ele não ser correspondido
Um dia o sol estava a brilhar
No outro a noite não tinha luar
Um dia acordei triste com o fim
No outro brindei alegre ao novo início
Um dia fui tão feliz que o brilho dos meus olhos
Acendia lâmpadas e pedia bis
Em outro minha fênix incendiada ao chão
Desfalecia em meu corpo ardendo em febre de tanta solidão
Um dia sentia a vida pulsar intensamente
No outro, ensandecida, a memória se foi lentamente
Um dia abri os olhos e lá ainda estava a minha vida
No outro os fechei e não mais abri, era chegada a hora da despedida
É por isso que sempre digo: a vida é tão hoje e tão curta
Curta tão somente hoje o que amanhã já se encurta
Hoje é o eterno, amanhã talvez seja só saudade
Desperte-se antes de adormecer, aproveite antes de acordar
Um dia sonhamos com uma vida
No outro a vida é um sonho

domingo, 3 de abril de 2011

Quero, logo vivo!

Ultimamente ando um tanto confusa, meus sentimentos estão realizando um debate por aqui. Coisas do amor, existe um nó dentro de mim...

Sabe, conheço pessoas que conviveram com seres ditadores, que já se foram nas suas vidas, mas a ditadura, a instituição prisional, o próprio algoz, continua dentro delas. Elas continuam a viver numa prisão, só que agora sem celas.

Mantém valores e atitudes que correspondem ao seu tempo de institucionalização, a submissão ao ditador e, esquecendo da dor de ser objeto do desejo do outro, muitas vezes se tornam déspotas, querendo submeter outros ao seu desejo. Assim, passam a praticar o despotismo a que foram submetidas.

Essas pessoas perdem aos poucos a conexão com as suas emoções, se despersonalizam e congelam sentimentos. Certamente essas reações ajudaram a sobreviver aos tempos de prisionização. O problema é que a prisão é reproduzida a cada agenciamento das suas relações, mesmo agora em liberdade.

Lamento tanto por aqueles que cumpriram pena apenas por sua omissão. Seu erro foi somente deixar de querer e deixando de querer deixou de viver os seus desejos, passou a desejar o desejo do outro...

Tão bom admirar a sua criança acordando e dizendo: “Mamãe o dia já chegou, olha, tá chovendo, quero colocar as minhas botas e pisar nas poças de chuva pra espirrar água por todo lado e fazer pleque pleque!”

Tão fantástico roubar os sorrisos de todos os seus amados amigos e ser chamada por um deles, aos risos, de cleptomaníaca!

Tão mágico amar intensamente e poder dizer isso, sem ser julgada, ao mesmo tempo que se é correspondida!

Tão simples se deliciar com pequenas idiotices do amor, como ver o amado se espreguiçar pela manhã, fazendo movimentos de um boneco na neve, fechando e abrindo braços e pernas, deitado na cama.

Tão incrível rir sozinha frente as mensagens inusitadas no celular, daqueles de quem se ama.

Tão maravilhoso se emocionar com o próprio trabalho e poder se conectar com as lágrimas e sorrisos daqueles para quem e com quem se trabalha.

É isso! Sem prisão, sem celas, sem clandestinidade, quero meu coração pulando do peito (como sempre), meu pulmão inflando com toda a força, meu sangue ardendo nas veias e meu cérebro pulsando mais rápido que a luz.

Quero intimidade, calor, magnetismo, mistério, amor. Por que?

Sem isso, prefiro a morte em lugar da institucionalização. Meu desejo é a minha vida, minha liberdade é o meu desejo.

Minha emoção é tudo que tenho, o resto, o resto mesmo, são conexões, instituições...

A vida é tão curta e tão hoje, desatei os nós... eles não me servem pra nada, eu não vivo em instituições.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mulheres Vermelhas


Pois é, em nome do Dia Internacional da Mulher, eu comecei a escrever um poema que tinha contido uma poesia, que emocionava e tocava a sensibilidade. Mas, quando comecei a escrever a estrofe que fazia referência as 130 mulheres que foram queimadas nesse dia, lutando por direitos humanos, mais especificamente pela redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas por dia de trabalho, pela equidade salarial em relação ao trabalhador homem e pelo direito a licença-maternidade, a poesia sucumbiu, eu me indignei (pra ser mais sincera eu me emputeci) e o que seria um poema certamente virou um editorial militante, bem vermelho, manchado do sangue derramado nessa luta.

Nesse momento, lembrei-me que estou devendo um post para uma amiga, na verdade uma mulher guerreira que eu muito admiro. É certo que muitas das minhas amigas e clientes serão homenageadas e terão identificação com os temas abordados, certamente todas são minha fonte de inspiração, mas promessa é dívida e eu vou pagar o post que devo, principalmente porque renascer de um CTI, voltar a andar e retomar a vida plenamente é só para raras almas ou melhor, somente uma mulher vermelha é capaz disso. Eu devo esse presente a ela. Aliás eu devo esse post a todas as MULHERES VERMELHAS, incluindo é claro, a minha mãe, minha primeira referência de mulher vermelha.

Então, há alguns anos atrás, Karla (a mulher vermelha que renasceu e inspirou esse post) disse que as mulheres tem cores e que algumas são vermelhas e outras são rosas. Achei esse papo duca, muito interessante e pertinente. Entre umas cervejas e outras na época, ela contou-me que o desejo dela na verdade era dar origem a um livro, com esse título. Disse-lhe que escreveria para ela, aliás por todas nós esse seria um livro necessário. O livro ainda não saiu, mas o post, já está publicado.

Bem, ela definiu a mulher rosa como aquela que se coloca quase (ou totalmente) de forma virginal, desprotegida, anunciando necessitar de cuidados e proteção, embrulhada num papel de florzinha com fita cor-de-rosa, algumas com pluminhas e paetês em cima. Elas choram quando querem algo, amansam a voz quando querem manipular uma situação, colocam o dedinho na boca e planejam estrategicamente com seu lápis cor-de-rosa as jogadas da vida, fazendo de cada pessoa e situação uma pecinha do seu quebra-cabeça. Elas são vítimas de tudo e é impressionante a insensibilidade dessas “almas sensíveis” no tocante ao sentimento alheio. Somente elas sofrem. Freud as chamaria de histéricas. Para elas sempre a redenção e para os outros o alçapão. Elas deveriam realizar uma himenoplastia (só que no cérebro) freqüentemente para, desta forma, operar plasticamente a reconstrução do seu cérebro para que ele se torne mais flexível, sem ficar preocupada com essa aparência “virginal/angelical” que faz questão de bancar. Certamente não era essa estirpe de mulher que estava contida na fábrica que foi incendiada no dia 8 de março de 1857, nos Estados Unidos, em Nova Iorque, quando foi carbonizada uma grande e poderosa amostra de mulheres vermelhas, que vieram para mudar o mundo e mudaram.

A mulher vermelha não usa máscaras e rejeita platéias, ela aceita o progresso ao invés da perfeição, porque sabe que não é perfeita, porque se admite inacabada, ela é principalmente uma mulher resiliente, ela perde agora, renuncia aquilo que não for verdadeiro, mas não permite que a sua vida perca o sentido. Tal como se diz na física, ela é capaz de levar uma porrada imensa e continuar a existir em sua essência, sem se desintegrar, sem vender a alma para qualquer fdp ou qualquer causa indigna. Ela se parece com uma mola, mesmo sendo massacrada, retorna a sua forma inicial. Ela não abre mão da sua dignidade, ela tomba, claudica, se aperta e levanta pra recomeçar a luta, quantas vezes forem necessárias. As mulheres vermelhas se parecem com verdadeiras fênix, elas pegam fogo e renascem das próprias cinzas.

Se por acaso a mulher vermelha for aniquilada, permanecerá viva na memória de todo um povo ou pelo menos do grupo a qual pertence, porque suas marcas estão contidas na história que construíram, como foi o caso de Madre Teresa de Calcutá, irmã Dorothy, Eva, Maria Madalena, as 130 operárias dessa fábrica e muitas, muitas outras grandes mulheres vermelhas anônimas, que devem ser homenageadas por nós todos os dias. Elas sim amamentam toda a ninhada de uma nação de idealismo, perseverança e muitas, muitas lições de força, generosidade, solidariedade e altruísmo, como muitas de nós fazemos em nossos pequenos territórios, simbólicos públicos com quem trabalhamos e pessoas do nosso entorno, das nossas relações, no cotidiano, a cada dia.

Não há mulheres negras, amarelas, brancas. Há mulheres vermelhas e rosas. É a sua conduta, a sua atitude, a sua permissividade ou não em nome de abusos, prendas, ofertas indecorosas ou qualquer outra isca, que vai determinar a sua cor, que vai determinar quem é você, que tipo de mulher você deseja ser e como você deseja estar no mundo.

A mulher vermelha não se vende, não se compra em lugar nenhum, ela é criativa, ela arruma as soluções para os seus perrengues, ela mantém a sua conexão com o seu lado selvagem, ela é mulher em suas múltiplas competências e assume também as suas diversas deficiências. Ela não quer viver de aparências, até porque sabe que o valor material um dia vai perecer e por isso a carne ela não quer enaltecer, embora os homens insistam nesse dilema.

Aos homens que não entendem a diferença, façamos uma análise comparativa, eles querem a bunda durinha mas não querem o cérebro de amendoim. As mulheres vermelhas carregam o mundo, as mulheres cor-de-rosa querem ser carregadas. As mulheres vermelhas são sushi e sardinha frita no mesmo prato, plural, como comida à quilo. As mulheres rosas são sempre bibelôs enfeitando a estande. Eles querem o cérebro poderoso da mulher vermelha e o coração ardente e determinado, mas temem se relacionar com tanta intensidade. Eles são atraídos pela carcaça da mulher cor-de-rosa, pela sua dramaturgia, mas se decepcionam com a sua pseudofragilidade, dependência e falta de autenticidade . Óh homens, eles não sabem o que escolhem. Deixem que descubram aquilo que porventura os façam amadurecer em suas emoções. Deixem que descubram por si só, em suas próprias escolhas, nos efeitos dos seus corações. O Carnaval vai passar, o verão está por findar... sobrará o outono, depois o inverno, todo ano é assim... As peles das mulheres vermelhas e rosas estarão cobertas, só restarão a conversa, o bom vinho, o aconchego, a proximidade das almas, os programas onde os corações parecem ficar mais pertinho um do outro...

As mulheres vermelhas querem e lutam por verdadeiras causas na vida, elas são causas verdadeiras na vida de alguém e NÃO, apenas conquistas...

sábado, 5 de março de 2011

Carnaval, adeus à carne

É Carnaval, e a folia?
Sinto a imagem da agonia
Parece sina, não combina
É certo que um dia
Devo retomar a poesia
Que seja logo
Essa profundidade que me alucina
Quero a minha alegria
Entendiante esse meu pensamento complexo
Essa angústia esquisita
Nada tem nexo
Me consome noite e dia
Meus sentimentos profundos
Tenho medo da loucura
É o tal do amor, é o amor
É por isso que não queria
É Carnaval, é Carnaval...
Esquece a dor
Se orienta pela sua sabedoria
Curta a folia, a folia
Tomara que não seja tudo heresia
Nesse contra-senso absurdo
Meu ouvido está surdo
Meu sentimento está mudo
Penso em tudo
Tomara que caiam as máscaras
É preciso seguir, maravilhosa e misteriosa
Na passarela, eu minha poesia e minha ira
Há rumores
Novas flores
Quem sabe sagrados amores
Sem fim
Fazem de mim
Refém nas montanhas
Das minhas manhas
Em cada manhã
Vejo um novo amanhã
Cadê você?
O que restou além da carne?
Carnaval é marcado pelo "adeus à carne"
Ou "carne vale"
Por que me permiti escarnecer?
Tempo de renascer
Às favas todas as fantasias e heresias
Muitas caras para sua coleção
Não sou mais uma
Se não é plena a sua emoção
Não me assuma
E a folia, e a folia? É Carnaval!
Me perder?
Parece que não faz mal
Não me peça para amar
Além do amor
E apesar da dor
É Carnaval, é Carnaval!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

nos olhos dele

agora eu me reconheci em um território que desconhecia
que ouvia pulsar por dentro
meu lado do desejo
me retorcia até o avesso
eu me apertava, me apertava contra mim
apertava meu corpo contra outro
mas não encontrava a mesma essência
procurava a conexão que me atraísse
em conteúdo feito igual ao meu
buscava a extremidade de um olhar
a intimidade do cheiro ao farejar
uma voz que se lançasse dentro das minhas entranhas
como simples eco da minha lascívia
agora grita a nossa devassidão
tudo é propenso entre nós à imensidão
queria sentir a ressonância dos meus sentimentos fortes
minha perspectiva louca
minhas histórias desarticuladas
meu corpo delicado
e eu ansiosa, ansiosa, ansiosa...
agora te reconheço
dono das minhas noites
inspiração dos meus dias
vives o tempo todo dentro de mim
mesmo que estejas em outro lugar
nossos intensos, trêmulos e lânguidos momentos
apenas sinto, me transporto para um outro mundo
meu sangue ferve
minh´alma bebe
minha mente delira
tenho febre e medo
dos muitos milhares de incríveis acontecimentos
que povoam a minha mente e
percorrem a minha alma quando estou com você
só falta a explosão de um gesto mínimo
que se manifesta em três palavras
nenhuma pressa
rimos muito , vejo estrada, sol e chuva
tudo que precisamos
mas como somos contradição
outro dia mesmo juntei todas as minhas forças
contra todo o meu desejo
e lutei muito para não dizer eu te amo
eu hein!
não fosse seus olhos...
é preciso muito cuidado em noites claras assim...
dizia Sartre, o filósofo, que o olhar do outro me confronta com aquilo que quero esconder de mim mesma...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dois


Dois em um sempre pode transcender
Dois segundos algo pode nascer
Dois olhares se cruzam através de almas famintas
Dois meses podem mudar duas vidas
Dois desejos podem se encontrar
Dois é pra equilibrar
Dois dá pra dançar
Dois é bom mesmo quando cada um é inteiro
Dois compartilham com intensidade
Dois praticam a sua vontade
Dois feitos da mesma essência
Dois com tanta transparência
Dois pés no chão
Dois com asas da imaginação
Dois não é ímpar
Dois é par
Dois é pra sonhar
Dois é tempo de amar!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Juca Vitória

Turfe é o esporte de origem britânica que promove e incentiva corridas de cavalos. Pois é, ouvindo a história do Juca Vitória, um cavalo de corrida que virou personagem em uma história de amor, andei refletindo sobre as convergências desse esporte com a prática real das relações sexoafetivas.

Assim como os relacionamentos amorosos, o turfe é um dos esportes mais tradicionais do mundo. Envolve a criação e treinamento do cavalo, competição e apostas. Semelhante ao amor, que envolve a criação do vínculo, o treinamento da relação (sim, se a relação não for muito bem adestrada no tocante ao reconhecimento de quais são as minhas neuroses, identificação de quais são as suas paranóias, posicionar o que é nosso e a maluquice que está entre nós, situar os limites e respeitar os espaços, a fusão detona o fim derradeiro de duas almas que deveriam ser inteiras e não metades, aí tudo vai pro carai), muita competição com os indíviduos não envolvidos diretamente na relação (os competidores externos querem disputar o prêmio dessa corrida, e putz tem muito fura olho em volta) e muitas, muitas apostas (como saber se você vai perder tudo, ganhar parcialmente ou levar o grande prêmio, que é ser feliz?).

Então, posto isso, uma vez era um casal um tanto intrigante e interessante. Ele questionava os desafios dessa relação e até que ponto a distância geográfica dos bairros distintos e distantes onde moravam e a falta de grana poderiam comprometer a conquista do grande prêmio. Era muito perrengue para superar. Ela infelizmente também não tinha como suplantar muitos dos obstáculos. Os dois possuíam uma proposta em comum: queriam ficar juntos.

Em uma sexta-feira qualquer, ele tinha R$10,00 na carteira, que revertidos em combustível daria para chegar até a casa dela. Mas e a volta? Ele pediu socorro a ela, que também não tinha um puto no bolso. Ele arriscou, pensou alto e apostou!

Bem, analisou ele “com R$10,00 eu vou até a casa dela e não volto, então nem fudendo vai rolar da gente se ver nessa sexta”, essa era a única certeza. Optou então pela incerteza: “VOU APOSTAR TUDO NO JUCA VITÓRIA!” Então ele apostou tudo que tinha, seus valiosos R$ 10,00 no Juca Vitória, um simples e inexpressivo cavalo que concorria nessa competição, mas que por trezentos metros a mais que não tinha no páreo anterior, lhe valeu só o placê. Entre as várias possibilidades de apostas, ele escolheu apostar no vencedor "também conhecido como ponta, que é a aposta direta no cavalo (suposto) ganhador”.

Às vezes a vida nos convida a apostar tudo em algumas situações, que em princípio não daríamos nada por ela. Algo intuitivamente nos diz que vai valer a pena. E no esporte amoroso não é diferente. Mesmo suado, difícil e complexo, precisamos conferir. É quase uma teimosia silenciosa.

E cruzam o destino final, como diriam os locutores de hipismo e acabou indo para o photochart, ou seja, a decisão foi baseada no olho fotográfico da corrida. Lá estava ele, o Juca Vitória, com o focinho apontando como vencedor e os 10 viraram 90 super viáveis Reais.

Agora, páreo a páreo com a realidade fora dos hipódromos, quantas várias possibilidades de apostas temos na vida, nos relacionamentos possíveis? O que nos leva muitas vezes a apostar em um único vencedor ou placê (se a sua aposta chegar em primeiro ou segundo lugar), ou na dupla (o apostador seleciona duas opções), ou na trifeta ou na quadrifeta, três ou quatro apostas simultaneamente? A vida nos oferece tantas possibilidades de acordo com a nossa disponibilidade, intenção e intuição... Difícil é saber o que fazer. É páreo duro, fazer uma escolha significa deixar de lado outras que podem nos parecer bastante atraentes, como diria Sartre, sábio filósofo existencialista.

Sem mais remates ou paradas, independente das apostas tradicionais ou do contrato verbal não informal entre duas pessoas ou mais, o que está no jogo da vida são as apostas.

Nosso apostador ousado no Juca Vitória, garantiu R$90,00 apostando tudo que tinha no seu candidato a vencedor, nove vezes o valor da sua aposta. Foi ver a amada e ainda saíram juntos para boas risadas e muitas cervejas geladas, arrematando o seu prêmio principal, ela. Vitorioso duas vezes, só conquistou tudo porque arriscou tudo.

E hoje?

Hoje eles estão casadíssimos e diga-se de passagem me parecem muito felizes, senão todos os dias, quase todos… Afinal, só reconhecemos a lua cheia e linda porque conhecemos a lua minguante. Eles certamente sabem disso, passaram por alguns críticos desafios, saboreiam o doce porque já experimentaram o amargo. Creio eu, com grande risco de me equivocar, que a felicidade deve ser confrontada de vez em quando com algum pesar, do contrário dificilmente é valorizada.

Assim é a vida, o amor é assim… Uma aposta diária, um risco a cada hora, um abismo de incertezas a cada segundo… Os apostadores transformam as certezas inertes em incertezas a cada aposta... Dizem que a incerteza é o que traz inspiração... Ouvi dizer por aí... E aí vai apostar?

Ass. Juca Vitória, da mesma linhagem do “Inusitado" http://umavezerahistoriasdegente.blogspot.com/2010/12/inusitado.html

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Amizade...

Amigos são como pão
São sagrados e sustentam o nosso chão
Também simbolizam o vinho
Companhia quando a gente se sente sozinho
Eles representam a partilha
Todo o avesso de uma vida
Companheirismo sem egoísmo
Aceitação sem condição
Partilha de todo dia
Quando tudo parece falhar
Eles estão lá para nos ajudar
Quando nada parece o suficiente
Eles seguram a onda da gente
Suportam a bebedeira
E aceitam toda a nossa besteira
Porque pelas nossas andanças
Todos nós fazemos um monte de lambanças
Às vezes os amigos entram na sintona da nossa dança
Outras ficam com cara de cachorro que caiu da mudança
Nem sempre presentes todos os dias
Mas sempre aparecem nas noites mais frias
Quando o nosso coração está aquecido
Eles comemoram com um grito
Diante do nosso pranto
Eles sussuram palavras doces e nos cobrem com seu manto
Mas também o carinho pode ser em forma de mordida
Quando eles percebem que não estamos valorizando a vida
Amigos ficam bravos e também fazem estragos
Depois nós nos perdoamos e nos abraçamos embriagados
Nada é capaz de abarcar o conceito de uma amizade
É bondade, é divindade… É solidariedade
É amor fraterno
Sem compromisso de ser eterno
É liberdade e não está aprisionado por nenhuma verdade
É simplesmente cumplicidade!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novo ano sentindo como os lobos…

Um ano se vai e outro vem, com ele costumamos renovar os nossos votos de esperança, de luz e de energia para mais um ano anunciado.

Pois é, o que muda?

O ano ou a forma como podemos enxergar, sentir, cheirar, ouvir, tatear, intuir, provar, o novo que se aproxima?

Realizamos balanços infinitos, ponderamos as coisas que fizemos, o que queremos mudar, refocalizamos os projetos, reafirmamos alguns contratos valiosos e cancelamos outros que não nos servem mais, renovamos alguns relacionamentos que nos enriquecem e deixamos outros, os que nos subtraem, em estações diferentes. Celebramos as novas conquistas ao mesmo tempo que vivemos o luto do que ficou para trás. Assim é a vida…

O novo está todos os dias e segundos a nossa frente, dentro de nós, em todo lugar e a qualquer instante, mas muitas vezes não estabelecemos contato, não estamos dispostos a olhar diferente para o mesmo que se apresenta. O mundo não muda, nós é que mudamos a conexão, a concepção, a interação com as pessoas e as coisas.

O mesmo céu estrelado e brilhante, a mesma lua escondida e misteriosa atrás do morro, pode ser vista, sentida, tocada, com magia, encantamento e amor, ou com solidão, tristeza e temor. Olhar o ordinário e ver, enxergar, o extraordinário é sabedoria para poucos ou para aqueles com anos de estrada com muitas colisões e arranhões a flor da pele, ainda cicatrizando, certamente em contato com o seu lado selvagem.

Ler o cheiro, sentir um olhar, tocar em uma voz que sussurra, ouvir a sensação de uma pele arrepiada, enxergar o som do coração, provar o gosto da intuição é, na verdade a manifestação da integração com os seis sentidos, dádiva muitas vezes mal utilizada na correria que anestesia a todos nós, todos os dias, robotizando nossas emoções, endurecendo nossos corações, ressecando as nossas almas e prejudicando os nossos sentidos.

Para se ter uma ideia sobre o desenvolvimento dos sentidos dos lobos, sua audição é tão apurada que ele pode ouvir a queda de folhas das árvores durante o outono. Sua visão noturna é uma das mais avançadas, seus dentes representam uma das mais poderosas armas. A saliva dos lobos é apropriada para reduzir a infecção bacteriana em feridas e acelerar a regeneração dos tecidos, sua saliva é um bálsamo, seus "beijos curam". Durante a época de acasalamento, os lobos tornam-se muito carinhosos, antecipando o ciclo de ovulação da fêmea.

Nesse novo ano, apenas desejo que saibamos aguçar cada vez mais os nossos seis sentidos. Quisera que todos nós pudéssemos fazer a conexão com a energia dos lobos, principalmente os maus, que tem orelhas bem grandes para ouvir melhor, olhos enormes para enxergar melhor, nariz bem potente para farejar bem, boca com dentes bem poderosos para devorar o mundo com apetite e mãos bem fortes para pegar melhor, abraçar com intensidade.

Chega de princípes à cavalo e princesas encantadas aguardando para serem salvas, com as suas poses superficiais, com seus sentidos artificiais, cheios de perfeição platônica e pretensões irreais. Sejamos simplesmente gente, gente de carne e osso, imperfeita, insensata, incompleta, inacabada, errante, aprendiz, selvagem, que ri e que chora, que sangra, que sente, gente real, de verdade, que se doa e que recebe, que chega junto e que se dá, que tem medo mas que ousa correr riscos na aventura de viver. Gente que vive como os lobos, com os sentidos apurados, sensíveis aos estímulos, que abraçam, tocam, falam, escutam, se arrepiam e ficam lânguidas de desejo, inebriadas de sensações e sentidos.

O que faz a diferença? Ter um lobo em sua vida! Viver como os lobos nessa vida!

Os sentidos, os sentidos aguçados. Ah, os sentidos…

Desejo um 2011 cheio de sentido e de sentidos!

Sugestão de leitura: “Mulheres que correm com os lobos”, meu livro de cabeceira.
O livro de Clarissa Pinkólas Ester, aborda a importância da conexão da mulher com o seu lado selvagem através da análise e redefinição de lendas, contos de fadas e histórias antigas, analisando as semelhanças das características do feminino com a de uma loba. A obra se comunica diretamente com os conflitos cotidianos da mulher, porém todo homem deveria acessar essa bela e selvagem obra.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sobre o amor, ah o amor…



Não me atrevo a entendê-lo
Nem tampouco descrevê-lo
Tento
No momento
Contemplá-lo com muito zelo
É algo transverso
Cheio de verso
Eu não sei bem
Como se tem
Acontece
Não se pede
Só desejo
Ensejo com muito medo
Cá estou
Frio na barriga
Quem diria
Efeito rebote
Me sacode
Outro portal
Sem pedestal
Sei lá, sem rumo
Sem noção nem direção
O que é? O que quer?
Só sei que bem- me-quer
Na dúvida me entrego
E a chance?
De romance
Quantas temos…
Vale a pena
A  alma não é pequena
Vambora
Faz da vida um poema
Entra em cena
Vive, se joga
Ri e chora
Porque um dia
Ah um dia qualquer
Nem precisa ser um momento de mal-me-quer
As cortinas se fecham
As luzes se apagam
E tudo que foi e aquilo que será
Um dia se vai, um dia findará
Ah… o amor, hum… o sexo!
Nem sempre é tudo desconexo
Quanto a mim
Tenho vivido de tanto rir
Já não sabia como era ser assim!
Afinal, fez macumba pra mim?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Inusitado

não esperava por isso nem por nada
apenas caminhava
sozinha impaciente ciente
muitas vezes com a alma rara
outras com doces desejos
sonhando com intensos beijos

quando nada combina
penso na minha sina
e quando menos imagino
momentos inusitados
gente surpreendente
me sequestra o sorriso

gosto disso
nunca fui muito tentada a andar nos trilhos
eles sufocam os meus brios
mantenho meu charme intelectual
em romper com o que é tradicional

minha vida nunca foi estilo “Doriana”
muito menos se parecia
quem diria
tudo saiu exatamente com a alegria que eu queria
afinal é tudo magia

então pra que me preocupar
com o altar?
se não tenho que me ocupar em fazer par
a surpresa me embala
o desejo me convida
e eu ímpar
somente brindo a vida

amanhã quem sabe
embarco em nova nave
descubro em outro cais
quero mais
e aí, bem... aí
que venha 2011
não preciso saber demais

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Paradoxo de aniversário

Hoje eu chorei

Chorei por todas as ausências, os abraços não recebidos, os beijos interrompidos, as mensagens e ligações que nunca chegaram e que não chegarão mais

Porque hoje é meu aniversário

Hoje eu sorri

Sorri por todos os abraços, o carinho, os beijos, as mensagens e ligações recebidas e que jamais serão esquecidas

Porque hoje é meu aniversário

Hoje eu acordei com uma vontade enorme de ganhar flores, então eu chorei de novo

Porque hoje é meu aniversário

Hoje então no meio do trabalho eu desci e comprei flores pra mim, girassol e rosa vermelha, dentre as minhas preferidas só faltou a orquídea pra completar o trio das prediletas e então, eu sorri de novo

Porque hoje é meu aniversário, eu amo flores e tenho mais motivos para celebrar do que por lamentar. Porque flores marcam os rituais de nascimento, união e morte, então eu estou confusa, porque coisas nascem em mim, se fundem e outras morrem…

Hoje é meu aniversário! Então eu posso chorar e rir a hora que eu quiser, porque hoje é o meu aniversário. E então eu estou estranha, cheia de nada, vazia de verdades, porque aos 37 anos nada faz sentido pra mim, porque hoje é o meu aniversário. Talvez algumas cervejas geladas, um abraço apertado do meu filho e bons amigos ao redor façam algum sentido pela data de hoje. Talvez essa simplicidade seja o sentido da vida... talvez.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Desejo, divagações et cetera e tal

O desejo é um “cara” ousado, sem limite nem regra, que já chega tomando conta do seu corpo todo, da sua mente e sem que você possa decifrá-lo, é arrebatado por ele… Muitas vezes ele é inconfesso, insano, às vezes ele incendeia, outras é doce e raro. Em alguns momentos é lento, perpétuo e outros é denso, intenso. Porém, nunca tem lei e é sempre inexplicável, misteriosamente sem razão. Inexorável, implacável, incontrolável, assim ele é. Podemos não concretizar pela via da vontade, reprimindo as atitudes, mas ele, ele está lá, latente, ardente. Dizem que para se conhecer, o ser humano deveria aprofundar-se em conhecer os seus desejos mais tiranos. Eles são nossos guias anônimos, não confessos, e podem nos orientar ou nos sabotar por completo. Desvendá-los é um processo exigente.

Pois é, eu gosto de ter desejo, amo ser uma pessoa desejante, mas me sinto sem autonomia quando ele se manifesta. De certa forma, desgovernada, capturada por sua sedução, pelo encantamento que o ato de desejar provoca. Ei, isso é sempre uma aventura perigosa, duvidosa, incerta.

É lógico que só desejamos porque há carência, alguma coisa nos falta. Se não faltasse não desejaríamos, seríamos plenos, completos, perfeitos, um Deus. Portanto, desejamos porque somos finitos, imperfeitos, inacabados, incompletos, errantes… Jamais poderíamos saborear o gosto do vinho, tendo a boca sempre cheia dele.

George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista, socialista e jornalista irlândes, falecido em 1950, já sabia desde essa época, que há duas tragédias na existência humana: “uma é quando nossos desejos não são satisfeitos; a outra é quando o são.” O cerne da ação da dramaturgia é sempre o conflito.

Quer saber, o ser humano problematiza tudo. Ô serzinho difícil! Se o desejo não é atendido, o filho da puta reclama, se é satisfeito entra em crise existencial. Tudo vira catástrofe. Se está sozinho, quer alguém bacana, interessante. Se está junto com uma pessoa legal, quer sair pelo mundo, se descobrir, analisar o que quer para sua vida. Porra! Ser humano “é muito complicado mesmo”, já dizia o Português do boteco quando mandou salaminho com queijo branco, enquanto havíamos pedido salaminho com queijo prato. Sim cacete, desejo é desejo e não tem muita explicação, queríamos assim, com queijo prato, e.x.a.t.a.m.e.n.t.e do jeitinho que desejamos, sem saber o “porquê”. O desejo não tem lógica, achamos que a química perfeita era essa: cerveja gelada, boa companhia, salaminho com queijo prato e pronto!

Acho que essa intriga em viver é o que me motiva a ser psicóloga, é tudo muito insensato. Tudo pode ser, tudo pode não ser… Tem um pouco de loucura nessa profissão, nessa escolha de trabalhar com esse objeto tão efêmero: o ser humano. A probabilidade das conexões entre as pessoas, a forma como elas se conhecem e se atraem, tudo nesse mundo gera questionamentos e mais ousadia em minhas ideias, tudo ferve em minha mente. Acho que é por isso que escrevo. Eu mesma, sempre efêmera nas minhas discussões, modifico as verdades que acredito a cada nova experiência vivida. O que acabei de falar já se modificou, hã, eu disse isso? Sou totalmente contestável, imprudente e insensata. Às vezes indecifrável até pra mim mesma.

Ultimamente ando muito sem juízo, me permitindo ser desafiada por valores e conceitos que construí pacientemente, para agora, descobrir que essa merda toda não vale nada. Agora estou aprendendo outras coisas, fazendo outras escolhas e experimentando novos desejos.

O problema do desejo é o tamanho, a dimensão e a intensidade dessa falta. Quando a fome é grande, tendemos a idolatrar a fonte de nutrição do nosso desejo, adulterando e divinizando o objeto da nossa fome. Por isso, de vez em quando é importante aprendermos sobre a plenitude sozinhos, tipo acampamento solitário, curtindo montar a própria barraca, cuidando de providenciar a própria comida, de férias dos outros e em conexão com os nossos desejos, saciados ou não, apenas identificando-os, acolhendo-os, ouvindo o barulho das nossas ideias e o eco dos nossos desejos. Passei um tempão experimentando fazer um monte de coisas que eu não costumava fazer sozinha. Viajei sozinha, fui ao cinema só, curti show sozinha e muitas outras coisas comigo mesma. Uma mixagem de medo e coragem, como uma sobreposição e combinação dessas forças num único som, em um novo repertório com novas nuances, tomaram conta de mim. Foi um período sensacional e voltarei a repetí-lo por muitas vezes e sempre. Me senti muito mais forte depois dessas experiências. Assim, andava tão saciada de mim mesma, que nem desejava desejar nada ou alguém. Não tinha fome, tinha juízo.

E agora? Agora esse tal de desejo me convidou pra dançar só pra me estontear. Sim, ando bastante atordoada com esse “cara”. Ele é novo, intrigante, interessante e me faz me sentir desejante e desejada. Gosto do jeito que ele sorri pra mim, com os ingressos na mão, me convidando pra vida. O nome dele? É DESEJO.

Nada mais sei sobre ele. Nada mais sei sobre mim mesma.

sábado, 25 de setembro de 2010

Já temos agenda para o próximo ano

Corre pra lá, depois pra cá, entre um intervalo e outro das funções laborativas, faço as ligações pendentes, lembro de comprar o remédio do meu filho, deposito um cheque no banco, respondo um e.mail, mostro que estou viva nas redes sociais digitais, leio um parágrafo do livro que quero terminar, contabilizo os meses e dias que larguei o cigarro, e... as unhas, não deu tempo, vai ficar por fazer. Ah, faltou ainda um monte de coisas e o dia já começa a dar sinais de que está por terminar e ainda, os cabelos brancos insistem em se expressar logo após a primeira semana do retoque da tintura. Certamente, um monte de coisas serão lançadas para a lista de afazeres de amanhã. 

Fico me perguntando o que é o tempo, como vivemos o tempo? Viajo pensando que ele não existe e nem é vivido, é apenas sentido. Estou envelhecendo, sinto que ele passa por mim e percebo que passo por ele, em alguns momentos nos encontramos. Às vezes não nos alcançamos, nem nos falamos, muitas vezes acho que não o toco, outras esqueço a minha idade. Tem dias que o cumprimento e o abençoo e outros que simplesmente o odeio, nem falo com ele, penso que ele não existe. Tem horas que até sentamos para conversar um pouco, em outros instantes só dá tempo de acenar um "tchau". O que importa mesmo é ter aprendido a não capturá-lo, mas sim a degustá-lo no ato vivido, sentido. Sinto-me muitas vezes como criança, outras com centenas de anos, em alguns fragmentos prepotente como adolescente, como se domasse o tempo. Adoro esse jogo perturbador do tempo em relação aos pensamentos, intenções e desejos. Às vezes tudo está desencontrado e outras bem bagunçado. Dificilmente tenho tudo arrumado, organizado, dentro de mim, no meu tempo e na minha vida.

O tempo para uma amiga no CTI, com a mesma idade que eu, com centenas de histórias e lembranças da infância, com saudades do que vivemos juntas e agora impregnado de compaixão, parece eternizar-se naquele hospital. Se ela estivesse aqui estaria vivendo, imagino, de forma atribulada, eletrizante e eletrizada, como eu, como a maioria de nós. Mas, fato é que está lá, adormecida numa cama de hospital e nós, apreensivos, a esperar por qualquer sinal de melhora, de recuperação. Como deve ser ficar entorpecida, insensível ao tempo que passa aqui fora, sem poder “governar” o seu próprio leme, o seu próprio tempo? Isso cruelmente tem mexido comigo, com a minha noção de tempo e, vem bagunçando ainda mais os meus botões, que já não são muito bem ajustados.

E nós, será que “gerenciamos” de verdade o nosso tempo? Os especialistas em RH dizem que sim, que isso é possível. Fazem apologia à gestão do tempo como se, aquele ou aquela que não consegue dar conta de tudo, é incapaz de estabelecer prioridades. Mas, quais são as prioridades, o que é mais importante para cada um de nós? Dar conta dos relatórios ou perder-se no tempo em um piquenique com o filho em meio aos sorrisos e festejos? Entregar-se ao ócio no fim de semana ou ser o primeiro funcionário do mês? Dedicar uma tarde para escrever uma poesia ou organizar todas as pendências para estar com “tudo em dia” para o início da semana? Curtir a noite ou aproveitar o dia seguinte cedinho com disposição? O dia tem 24 horas, nem um minuto a mais e nenhum a menos para ninguém. Questões, escolhas, formas de viver o tempo... Cada um o vive a seu gosto, de acordo com a sua preferência...

O que é o tempo? A expressão das rugas? A proximidade da morte? Intervalos ou períodos de duração? Ilusão, dimensão, calendário, lembranças, histórias, relógio? Plasticidade, simplicidade, engrenagem, passagem ou complexidade? Quem é esse tempo feroz que não se repete e que anuncia, que cada segundo passado não voltará? Se o tempo não se repete, nós também não. Então, cadê nós? O que passou já se foi, o que é agora já não será mais no próximo segundo, e o que será amanhã? Não sei, mas "Já temos agenda para o próximo ano".

Peraí, eu nem consegui cumprir todas as promessas e projetos idealizados no Reveillon passado e a papelaria já anunciou no cavalete na calçada: “Já temos agenda para o próximo ano”. No shopping, a vitrine enfeitada com árvores, luzes e bolas coloridas de Natal, anuncia que o Papai Noel já está a caminho e com ele o novo ano que se aproxima. Puta que o pariu!!!! Isso é muito sério porque eu ainda nem dei conta de todas as metas desse ano...

É isso, preciso voltar a aprender como era ser criança. Papai Noel, infância, expectativas pueris, experiências inusitadas, desejos simples, vontade de presentes, de viver o presente, a espera de surpresas... Crianças pequenas não tem noção de tempo e aquele que manifestou a loucura pode perdê-la. Talvez as crianças e os loucos sejam aqueles que mais sabem lidar com a vivência do tempo, pois só se dão conta dele como fator limitante e finito, quando o espetáculo acaba , quando a festa se encerra, quando as cortinas se fecham ou quando a vela do bolo é apagada. Enquanto isso, fato é que eles sabem viver o presente de forma infinita.

É bom ser criança ou tornar-se louco, só assim o anúncio: “Já temos agenda para o próximo ano” torna-se insignificante. E daí? As crianças e loucos não estão nem aí para as agendas que já estão sendo vendidas para o ano que vem. Eles não se perguntam se o beijo de hoje tem gosto de "e amanhã como será?". Eles simplesmente beijam com gosto de infinitude. E o abraço termina quando acaba, quando os músculos simplesmente e de forma espontânea desapertam o amasso, que deu laço nos braços e, enquanto isso, os braços estavam eternamente abertos para o outro entrar e depois, para sair, quando assim, fosse da vontade. E tudo isso é de uma beleza sem fim, sem agenda, sem prazo...

Então fodam-se as agendas para o próximo ano. Deixe-me meditar sobre o essencial e o insignificante. Deixe-me sozinha para vislumbrar a fugacidade do tempo e, inseguramente minha própria imagem desconcertante, mutável, fugaz...

E, por favor, deixe-me sem agenda para o próximo ano!!!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Freio ABS, utilize sempre que necessário.


"Parar um automóvel repentinamente em uma rua escorregadia pode ser desafiador. Os sistemas de freios antitravamento (ABS, anti-lock braking system) diminuem o desafio dessa situação muitas vezes enervante. Em superfícies escorregadias, mesmo motoristas profissionais não conseguem parar tão rapidamente sem o sistema ABS se comparado a um motorista comum que conta com esse sistema."

Uma mulher em crise existencial pós término de um relacionamento vivencia algo bastante parecido com a citação acima, até as mais experientes.

Vejamos como funciona. Entender a teoria dos freios antitravamento é simples. Uma roda que desliza (a área da pegada do pneu escorrega em relação à estrada) tem menos aderência que uma roda que não está deslizando.

Se você mulher já ficou imobilizada no gelo ou na lama, sabe que se as rodas (do seu cérebro) estão girando em falso, você não tem tração, não consegue sair do lugar. Isso acontece porque a área de contato está deslizando em relação ao solo, você fica "sem chão", como costumamos dizer. Ao evitar o deslizamento das rodas durante a frenagem, os freios antitravamento beneficiam você de duas maneiras: você irá parar mais rápido de se esvair em lágrimas e fazer merda (torpedos, ligações nas madrugas, e.mails, DR`s infinitas, choques e exposições desnecessárias) e será capaz de mudar a trajetória da sua vida enquanto freia.

Realmente, artigo de primeira necessidade quando precisamos nos dar limites e finalmente convalescer dos acidentes de e no percurso e assim, retomar o rumo e direção de nossas vidas.

Pois é, muitas de nós, com a experiência e sabedoria típicas dos anos de colisões e muitos arranhões, diga-se de passagem, aprendemos a usar o freio ABS.

Passamos alguns momentos desgovernadas e, em outros imersas em experiências desgovernantes. A porrada ou a imobilidade é quase certa quando estamos nessa vibe.

Bem, vejamos como funciona no universo feminino. Essa é uma estratagema que consiste em realizar uma lista das coisas horrorooooooosas que o sujeitinho tem ou tinha (porque agora vc vai enterrá-lo de vez), quando o relacionamento acaba e precisamos esquecer a figura e realizar um nobre sepultamento. Sim, pretinho básico na viuvez mas pô, pode ser aquele curtinho e sensual, de preferência com óculos escuros porque além de fatal conseguimos esconder a cara inchada de tanto chorar. Ficamos de luto mas não morremos, o cara é quem se foi!

Pois é, essa lista em geral é realizada quando realmente nos sentimos como NPP. Isso mesmo: NPP, como dizia uma cliente minha: "Nitrato de Pó de Peido". Quando nos sentimos assim, colocamos o sujeito nas alturas e ficamos lá embaixo com pena de nós mesmas e começamos a acreditar que a figura é o último picolé do verão, a última bolacha do pacote ou a última peça daquela loja que amamos. Autoestima? O que é isso? Esquecemos do que se trata esse sentimento.

Porra, para e pensa: ao invés de lembrar do que ele tinha de bom, triturando mais ainda o coração, recordando os best moments e incorporando o papel de masoquista, chafurdando na lama ou no gelo, se toca e lembra do que não prestava no sujeitinho. Seja sádica, masoquista nunca. Hahahaha!

Lembrar por exemplo daquela "bundinha sofrida" que se dirigia ao banheiro enquanto você ainda estava deitada na cama depois dos melhores momentos é tudo. Acrescente-se à cena trágica as estrias, a cabeça careca, o brinquedo tamanho PP, os e.mails com erro de português, a pela-ovário da sua sogra, as batatadas que o carinha falava na frente de suas amigas, o humor de Seu Lunga quando você estava sem o menor saco pra aturar, as vezes que ele te deu um balão, as patifarias dele quando você estava linda e ele entortando a cabeça pra olhar aquela paraíba popozuda que acabou de passar, os momentos cruciais que ele não compareceu (em geral eram os mais importantes e necessários), a cueca de saco de batatas ou com freada de caminhão, as cenas de ciúmes irritantes e sufocantes, aquela barriga sentada no seu sofá no Domingo dada à bebedice enquanto você cheia de energia só queria sentir os seus cabelos ao vento numa praia, o fato do carinha não ter te escolhido mas sim aquela songamonga que nem se compara à você (denunciando o mau gosto dele), as crises de bebezinho fora de hora quando você teve um dia de cão no trabalho, enfim, a lista seria infinita... Cada uma que faça a sua interminável.

Portanto, freio ABS, sigla que metaforicamente traduzida ficaria assim descrita: "Asco de Bundinhas Sofridas".

Um brinde ao novo artigo feminino de libertação e renovação de vida. E, que as nossas bundas cresçam e que os nossos freios do discernimento funcionem, sempre!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Desrazoável



É nascida sem razão
Pois só comporta emoção
A idéia do escritor original e independente
Torna-se comum em rodas de toda gente
O reconhecimento do valor
É inestimado, reconhecido pelo leitor
Não é um jogo de poder e nem faz parte de uma ideologia de cultura elevada
Basta um lápis e um papel, seguindo o fluxo de qualquer estrada
Não requer grau de refinamento
Apenas a contação do momento
Nesse processo ressurge a magia da criação
O blogueiro não conhece dependência em sua ação
Ele apenas escreve pela intuição
Aquilo que surge no coração
Desobrigado de prestar contas
Ele viaja e navega em suas ondas
O cotidiano social
Dinamiza as suas palavras em espiral
Um soberano da palavra
O blogueiro rompe com os códigos estabelecidos
Tocando até alguns corações adormecidos
De artista, criança, selvagem e louco todo mundo tem um pouco
Um refúgio euforizante é o que desejamos adiante
Chega de modelos universais
Gostamos de coisas transversais
Nas sondas da razão
Rejeitamos o que é padrão
Cansados do pensamento cartesiano
Tentamos reinventar a imaginação em outro plano
Nas rodas de poesias
Reeditamos todas as nossas heresias
Nosso produto não faz parte de uma indústria cultural
Ele é um acervo livre no universo virtual
Sei que muitos consideram admirável
Porque na verdade o que produzimos é desrazoável

Que essas rodas de poesia se multipliquem, ao vivo e virtualmente. Dedicado as queridas amigas que escrevem e publicam em seus blogs as suas poesias, poemas, histórias, devaneios e lições e que, em meio a essa “crise de cultura” conseguem produzir belas e consistentes palavras pelos descaminhos do século XXI.

sábado, 8 de maio de 2010

Mãe é adoção




Mãe é adoção
Aquela que não adota o filho
Mãe não se torna
E o filho joga fora

Mãe é adoção
Quando não há dedicação
Parir foi em vão
Filho precisa de atenção

Mãe é adoção
Se não for pra fazer feliz
A vida fica por um triz
E o sorriso não faz bis

Mãe é adoção
Amor é solução
Ser amado é tudo que se almeja
Pra vida não se tornar uma peleja

Mãe é adoção
O amor em outra versão
Duas almas em única conexão
Ligadas apenas ao coração

Mãe é adoção
Às vezes estamos no furacão
Outras num balão
Mas é sempre uma emoção

Mãe é adoção
É criar um super homem
Que ri e que chora
E se emociona vendo a aurora

Mãe é adoção
É acolher no sufoco
Pro filho não ficar oco
E forte encontrar uma resolução

Mãe é adoção
É ampliar a possibilidade
Pra no momento de dificuldade
Encontrar na fonte
Um outro horizonte

Mãe é adoção
Se assim não for
A vida fica ociosa
E não se torna preciosa

Mãe é adoção
Amor por opção
É viver num arco íris
A vida que sempre quis

Dedico essas linhas para todas as MÃES DE VERDADE, que adotaram os seus filhos, tendo estes laços biológicos ou não.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Maravilha de mulher, adormeça de vez em quando

Mulher Maravilha, um dia você desiste da tentativa de perfeição.

Largar o cigarro, entregar os projetos nos prazos, ser boa mãe, fazer mestrado, ser educada, estar presente na vida daqueles que amamos, não se atrasar para o trabalho, ser proativa no exercício de sua profissão, cozinhar bem, ser organizada, participar da vida social, manter o corpo em forma, correr, dançar, malhar, passear com o filho, estudar, responder os e.mails, ler um bom livro, arrumar o armário, ser criativa, assertiva, dinâmica, afetuosa, inteligente, ser boa amiga, ser solidária, trabalhar por um mundo mais justo, manter a simpatia e o sorriso no rosto.

Sabe aqueles dias que tudo que se quer é mandar a totalidade do que existe pro espaço, sem chance de reciclagem e aproveitamento? Tchaaaaaaaaaaaaaaaaaau pessoal!

Vou na esquina comprar um maço de cigarros e talvez não volte, mesmo não fumando mais. Se tivesse um pozinho mágico para sumir, certamente o utilizaria.

De vez em quando as mulheres deveriam ter o direito ao "dia do sumiço", sem ser solicitada ao trabalho, aos compromissos familiares, sem atender ao telefone, sem dar as caras nas redes sociais virtuais e presenciais. Um dia, só um dia, pra si mesma, como se fosse o último da sua vida.

Imagina poder comer qualquer coisa que tenha vontade ou alguém que se queira, rsrsrs. Falar qualquer besteira, fazer qualquer merda, rir de tudo e de todos, xingar quem se quer e amar quem se deseja. Sentar sem modos, não pentear os cabelos, beber todas. Um dia sem lei nem rotina, sem obrigação nem responsabilidade, puro princípio do prazer e do desejo.

Ei, ei acorda, foi apenas um sonho... Quando vi a capa vermelha estava estirada no chão. Sonhei que eu havia desistido da missão heróica de ser uma maravilha de mulher... Eu queimava em febre, o corpo suava, estava delirando, sentia frio e calor, corpo débil e cansado, exausto. Foi uma forte gripe...

Tudo bem, eu continuo tentando...

Acho que eu entendi tudo mesmo ao lembrar de uma fala recente do meu filho, de apenas 4 anos: “Mamãe, você sabia que cavaleiros e príncipes não gostam da Mulher Maravilha?”

Eu ponderei surpresa: “Nãaaaaaaaaaao meu filho? Mas por que?”

E ele respondeu com toda a sua pureza: “Porque ela já está acordada. Eles gostam mesmo é de acordar as princesas adormecidas”.

Acho que vou dormir de novo...


sábado, 24 de abril de 2010

Silêncio...



Eu sei, eu sei, o blog conta histórias, mas algumas vezes elas nascem em forma de poesias e poemas. Enquanto não acho o que desejo, me inspiro, fico em silêncio e escrevo...

Soma, trai, subtrai
Chega, aconchega
Sai, vem e vai
Some
Não come
Se aquieta
Me alimenta
Desperta
Porta aberta
Sem dó
Nem nó
Voo presa
Cilada do desejo
Ensejo
Quero
Não devo
Ainda dá tempo?
Vai, não vem
Fica
Pura descoberta
Me vejo coberta
Em lágrimas adormeço
O corpo fala
Sem ânimo adoece
A mente enlouquece
A voz cala
Silêncio...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Descompasso



Abraços descontinuados
Beijos interrompidos
Desejos partidos
Sonho sem chão
Medo em vão
Alma presa
Coração se desprendeu
Controle não sei
Entregue se meteu
Confusão encontrei
Não sei o que me deu
Paciência me espera
Solidão me aconchega
Presente, minha vez
Sei que chega
A flor da pele
Se entrega
Poder de fogo, testa
Se suicida
Onde estás dono do meu desejo?
Aqui estou sem saída
Um pouco de brisa
Sopra vento
Me leva
Longe estou
Silêncio
Beijo, não liga
É tudo descompasso…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Status de relacionamento? Híbrido


Uma vez era…

Um cara ou “o cara”. Tímido? Sei lá, achei ele até bem ousado!

Na dele? Talvez, mas ele tinha gana, determinação. Parecia saber o que quer.

O que é proibido, o que foi coibido, que desperta a libido, o que é então?

Mal casado? Não, ele é até “bem casado” e não sabe explicar não.

Se é assim, por que um affair? Despropositado? Parecia cheio de propósitos…

Pensei : será que a multiplicidade de vínculos, trajetórias e conexões na vida de um ser humano cabem num casamento?

Solteiros, casados, namorados, peguetes, descasados, enrolados, ficantes, amantes e amados. Vai saber…

A impressão que tenho é que as categorias não dão conta da nossa pluralidade.

Como gerenciar a nossa necessidade de criatividade, inovação e liberdade com as características embaladas no casamento, sob o rótulo igualmente sedutor , oferecendo rotina, equilíbrio, “segurança” e “exclusividade”?

Estrelas nos olhos é o que também queremos. Aquela sede insaciável é o que nos faz sentir vivos. A pele arrepiada é o que traduzimos como desejo. O novo, o despertar, somos curiosos, queremos des-cobrir, tirar o véu, mas também queremos pertencer.

Em geral, o que é uma pena, esses elementos acabam sucumbindo com o dia a dia de uma relação sob a placa: “casados”. Em lugar disso, o amor ou a defesa dele em nome da parceria, dos laços de amizade, de uma vida compartilhada.

Difícil isso! Acho que queremos mesmo tudo isso embrulhado num pacote só e, de preferência, com alguma pimenta.

Pode ser?

Isso, quero dose dupla, quero combo, promoções combinadas, não quero nada plano, excludente, linear, quero diversão e descanso, ousadia e respeito, colo e encorajamento, autonomia e aconchego, quero unir-me e também respirar, descoberta e pertencimento, agito e paz, liberdade e responsabilidade, quero aventura e amor.

Por que não?

Na verdade, somos um cruzamento de desejos de várias espécies, com diferentes elementos na sua composição. É o preço do mundo globalizado, da intensa carga de estímulos, dos movimentos de luta política. Temos homens na cozinha e mulheres nas corridas de stock car, temos pais criando filhos sozinhos e mulheres que não desejam ser mães. Fato é que estamos cada vez mais híbridos.

Mulheres que parecem “santas” tranformam-se em lobas selvagens em busca de “amor”. Homens ditos “canalhas” são verdadeiros gentleman que tratam bem e carinhosamente suas mulheres. Mulheres vestidas para matar que têm um verdadeiro coração cor-de-rosa. Homens misóginos se dizem apaixonados mas a verdade é que odeiam as suas mulheres. Temos tudo ao mesmo agora e queremos mais.

Temos heteros, bi, homossexuais, transexuais. Há metrossexuais e também mulheres que não pintam as unhas e nem os cabelos. Mulheres que matam baratas e homens que correm de inocentes morcegos. Temos famílias constituídas por 2 mães, nenhum pai, inter-racial, formada por kibutz. Nada mais é definido tal como era antes. Tudo desconstruído, novo, híbrido.

Nossa espécie evolui e se torna cada vez mais complexa, nossa personalidade está mais receptiva as diversas mudanças sociais e culturais. Flexibilidade e tolerância é o que se pede para a sobrevivência da nossa humanidade.

Assim, tal como os carros flex, utilizamos muito mais que uma fonte de energia para o nosso funcionamento. Associamos vários motores, integramos informações e sentimentos múltiplos. Nos tornamos híbridos e fato é que ainda não sabemos lidar com isso…

Hoje eu só quero um abraço, cheio de significados e que, contenha vários elementos, híbrido talvez…

O mundo pede cuidado



Uma vez era…

Uma rotina sob aparente controle. Agenda de trabalho, gerenciamento do tempo. Acorda, levanta, cronômetro conectado aos compromissos. Assim fica mais “fácil” viver. Tempo livre em casa, fazer o que? O que fazer? Ver os noticiários anunciando as desgraças e aumentando o sentimento de impotência? Sinto-me péssima.

Mediante o caos que está a cidade do Rio de Janeiro por conta das chuvas, a vida de todos nós transformou-se num caos. Perdemos o suposto direito de ir e vir. Alguns presos nos escombros e outros no trânsito. Abalo, medo e comoção é pouco para definir o sentimento da população. Involuntariamente estamos submersos em outra rotina, o encontro com o próprio self tornou-se inevitável. As desgraças naturais estão estampadas, a vida parece não valer muita coisa…

Impossível é parar de pensar no sentido da vida. Pensar na tragédia oriunda das intempéries, nas consequentes mortes, na própria vulnerabilidade da vida e, é claro, na condição de solidão que atravessa toda essa situação.

A vida é imprevisível e está sempre por um fio, por uma chuva, por um amor, por uma dor, por uma despedida às vezes sem chegada… e por todos os riscos que implica o processo de viver.

Quero meu controle remoto de volta!

Quero acreditar que posso planejar, prever, evitar, calcular e gerenciar.

Quero me sentir em equilíbrio de novo. Vida, natureza, devolva meu eixo.

Pouco tempo para nos recuperarmos, destruímos tudo, não preservamos, não nos ocupamos de cuidar da nossa casa, da nossa terra, do nosso lar.

A inclemência do tempo é a falta de suavidade, de sensibilidade de todos nós. A perturbação atmosférica é também a confusão mental de todos nós. Chuva devastadora, terremoto avassalador, o tempo está mexido com a nossa falta de tempo para cuidar. O tempo pede alma! O mundo precisa de calma, de cuidado, de todos nós.

A Onu calcula que no Haiti houve mais de 230 mil mortos. Aqui no Rio a chuva já provocou mais de 100 vítimas fatais.

Taí, esse é o mundo que construímos. Essa chuva tem a nossa participação, a nossa irresponsabilidade, a nossa falta de cuidado. Isso tudo é reflexo das nossas atitudes e/ou das nossa omissões. E agora?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Quando um não quer, o outro quer

Uma vez era…

A pequena sob os meus cuidados contava apenas 6 anos. Sabedoria e astúcia são características marcantes em seu comportamento. Fato é que na sua história, elementos como rejeição sucedida por um abandono a tornaram filha de uma outra família, diferente da que a concebeu biologicamente.

Diagnosticada pela psiquiatria com "Transtorno Opositivo Desafiador", penso que ela só deseja fazer os adultos refletirem sobre simples coisas mundanas.

Ela adentra o meu consultório certo dia, manifesta tristeza em seu rostinho alvo branco e me questiona: “Tia Claudia, por que as pessoas brigam?”

Em seguida conta uma calorosa briga entre os pais e diz que já está na hora de reunir a família para um encontro de “brincadeiras”, só obedeço.

E vem a família. Cada um descreve suas opiniões sobre os motivos pelos quais as pessoas brigam. A pequena diz: “Porque um não empresta pro outro o que o outro quer emprestado” e continua: "as pessoas não sabem dividir as coisas", resumindo em uma linha o problema da humanidade.

As pessoas não querem emprestar seu tempo, sua paciência, sua compaixão, seu amor, seus ouvidos, seus pertences, suas crenças, suas opiniões, sua tolerância, sua intimidade. As pessoas não querem “prestar em” serviço do outro nada que supostamente lhe pertença.

Voltando ao setting terapêutico, o pai diz: “nós brigamos porque a sua mãe não queria conversar e eu sim, então continuei falando mesmo que ela não quisesse”.

A mãe rebate o pai indiretamente, dirigindo-se a filha e tentando lhe ensinar o conhecido ditado: “filha, quando um não quer…” e espera a complementação tradicionalmente conhecida. Mas, ela rompe o ditado com a sua fascinante imprevisibilidade infantil e continua: “… O OUTRO QUER”.

E ela quebra paradigmas, modifica ditos populares, busca novas respostas, arranca sorrisos, gera dúvidas, pondera as incertezas, torna os corações mais tolerantes e flexíveis, pois para ela a vida é assim: “ QUANDO UM NÃO QUER, O OUTRO QUER”, tal como foi a sua história de adoção.

Aquilo que não serve para uns, certamente será de grande valia na vida de muitos outros. E a pequena acima, cada vez mais linda e brilhante parece conhecer com sabedoria o fluxo da vida, que um dia almejamos alcançar com a maturidade.

Salve as pessoas, salve o mundo, recicle tudo, partilhe, transforme, preserve, repasse o que não se quer mais. Certamente em algum lugar, em algum momento, alguém precisa daquilo que já não te serve. Imagine um mundo assim e faça acontecer!

domingo, 21 de março de 2010

Brinca-dor



Uma vez era... uma manhã numa sala de espera de um centro cirúrgico, aguardando o filhote de 4 anos operar... um papel, uma caneta e algumas palavras soltas na mente, era tudo que me restava da conexão com o mundo real...

A possibilidade da des-graça de perder um ser amado nos faz perceber e empreender a importância de ver a graça da vida, das pessoas, dos momentos felizes.

Se pudesse descrever as sensações, diria que o coração desceu para o joelho, profundo, áspero, cerrado, denso e silencioso, perdeu a graça do caminhar por horas. Acho que algumas mães sabem o que isso significa. Apertado, sufoca e, de baixo pra cima, como um golpe, reprime e asfixia o peito, sobe um corpo sólido, compacto, pelo pescoço, ressentido, sem compaixão, parece uma faca atravessando a garganta, dói, esquenta a face e lança fugazmente pelo repositório das emoções o transbordamento de uma lágrima.

Mais pressão, ebulição, maior intensidade e implode o abrigo dos sentimentos. A porta foi arrombada. De assalto, o coração parece ser arrancado do peito por uma forte mão de ferro. Em suspenso, quase não respira, do tambor ecoa apenas uma flauta melancólica. Quero minha graça de volta. Me devolve, imploro!

No quarto, ele é um brinca-dor, aquele que brinca com a dor. Sempre foi assim, e mostra ao mundo: “eu acho que vou brincar de novo, outra vez”.

Brinca, brinca, brinca, meu João, meu palhação. Rodopia de “vestido” (curtindo a roupa do hospital), canta e dança, todos acham uma graça.

O mundo é feito de doce de leite, cremoso, derretendo, duro, mas sempre, sempre doce de leite, como diz sua avó, de fato, é uma grande graça.

Brinca, brinca, brinca, meu menino travesso, que encanta e se encanta com o mundo. Inocência é pouco diante dos olhinhos curiosos, que contém estrelas, que irradia amor e reedita sempre, a coragem de brincar com a dor, é uma graça.

Enquanto ele é um brinca-dor, eu sou um ser escreve-dor, cuida-dor e conta-dor, que estou aqui a contar e escrever esses momentos e, como sempre, a cuidar da dor. Cada um com a sua competência.

Amo-te meu filho. Seu especial senso de humor e de brincar com a dor, tornou-me sua eterna aprendiz. Queria eu ter nascido com esse potencial, mas se assim fosse, talvez não estivesse aqui contando essa história.

Você é sempre uma excelente notícia, tudo em ti é novo sempre, tudo em ti é brinca-dor.

É bom tê-lo em meus braços novamente!

Agora eu acho que ele vai brincar de novo, outra vez.

Que graça! Graças a Deus.

Sugestão de leitura:

“Ler e contar, contar e ler” - caderno de histórias, por um grande homem, contador de histórias, chamado Francisco Gregório Filho. Em breve sua história nesse blog.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Descaminhar

Uma vez era a história de uma sujeita que se descaminhou. Após mais de 20 anos esquadrinhada pela disciplina que organizava o seu espaço, consumindo sempre mais de 40 horas do seu tempo no trabalho e envolta numa carga emocional duplicada pela máquina corporativa, quase abandonou os seus sonhos. Se tivesse mais tempo talvez tivesse realizado alguns outros.

Sim sujeita, sujeita que se sujeitava ao isolamento de um espaço quase fechado, esquadrinhado, hierarquizado que propiciava o desempenho de funções pré-estabelecidas. Tal como siri na lata, o coração disparava como tambor por novos anseios, pelo grito de liberdade.

Segundo Foucault, as relações de poder disciplinar não necessariamente necessitam de um espaço fechado para se realizar, mas sim do controle do tempo, do tempo para produzir o máximo de rapidez e eficiência. TEMPO, elemento precioso e objeto de consumo tão desejado nos dias atuais. Então, essa sujeição do corpo ao tempo, ao tempo do outro, em vigilância foi finalmente descaminhado. A decisão de subtrair direitos (sim, carteira assinada, plano de saúde, tíquete refeição, 13º e blábláblá), de perverter a ordem do consumo (ela quer tempo, sente-se novamente dona dele, é isso que quer consumir com liberdade), o desgoverno no orçamento doméstico, entre outros extravios são preços do descaminho.

Está indo, lúcida e insensata. Trocando o porto “seguro” pelos mistérios dos novos portos, pelas novas portas que ainda serão abertas. Ali jaz a loucura que estava sendo produzida por um caminho. Um caminho que exclui o prazer, o ócio, a possibilidade da concretização de sonhos. E ela vai, sempre vai, ir e vir é o que gosta de fazer. A mente inquieta e a alma profunda brigam e gritam sem parar. O corpo dela fala, dança, reclama e ele a impulsionou. É o lançador de foguetes e estava emperrado, movia-se com dificuldade em direção ao trabalho. Empenado e torcido se desviou da linha de prumo, vivia com dores, na coluna, na cabeça, exausto. Como pode estar aprisionado, em cárcere institucional por tantas horas? Como pôde permitir o esgotamento da sua energia vital com a crença: mais horas de trabalho é igual a maior prosperidade?

Descaminhada está agora, depois de refletir afastada do mundo corporativo durante 30 dias. Quando não se usufrui de muitos dias de férias (ou nenhum) nos mantemos ocupados, com a máxima produção, não nos permitindo mergulhar no ócio e produzir nossos próprios desejos. Nossos desejos passam a ser corporativos. Desejamos o que nossas corporações desejam. O que achamos que é nosso desejo, foi produzido pelas mídias de consumo. Queremos ganhar mais para "ter" mais, abandonamos o "ser". É o hospício que produz o louco e não o contrário.

Enfim, descaminhada está. Desconstruindo crenças, normas, valores, realizando novos caminhos, adentrando novas portas, lançando-se em novos voos. Medo? Sim. Convicta? Jamais. Aventureira? Sempre. Tensa? Não, mais relaxada do que nunca, encantada pelas coisas mundanas, pelos apelos da alma e pelas pequenas belezas grandiosas.

E ela foi! Quem é ela? O que ela quer? Descaminhada está, enfim, para descobrir!

Quem quiser que conte outra. Dizem hoje em dia que ela navega pelo mercado livre com a seguinte diligência: “Compro tempo no mercado livre, ofereço sonhos e anseios em troca desse meu poder.”

Dizem as lendas que ela anda por aí realizando novos projetos, estudando (sim reaprendeu a ser aprendiz), aprendendo novas prosas e poesias, contando histórias para o seu filho, dançando, enamorando-se de novo, re-encantando-se pela vida, escrevendo, se preparando para o mestrado. Dizem que ela está mais perto dos seus sonhos. Dizem que ela anda cada vez mais distraída. Dizem...

Sugestões de leitura para o descaminho:

“A Economia do Ócio” / Bertrand Russel, Paul Lafargue – por Domenico De Masi
“Vigiar e Punir” – de Michel Foulcault